sábado, 5 de novembro de 2011

Mensagem

Fomos buscar este texto ao blog "Reformados Tortosendo".

CARTA DOS AVÓS AOS NETOS

Queridos netos.
O motivo desta carta, escrita pelos avós que somos e dirigida aos netos, tem a ver com o nosso passado, o nosso presente e o vosso futuro. Pertencemos à geração que, obrigada, fez a guerra colonial, que lutou e alcançou a Paz.
A geração perseguida, reprimida e presa pela polícia política de Salazar e Caetano. Somos a geração que fez a revolução do 25 de Abril.

A nossa experiência de vida e de luta, ontem jovens e hoje avós, diz-nos que o momento que o País vive é muito grave para as famílias portuguesas e, em especial para o vosso futuro. Sentimos Por isso, temos a responsabilidade de lançar um alerta aos nossos filhos e netos para o caminho
de destruição do país: dos direitos políticos, laborais e sociais dos trabalhadores das novas gerações e do povo português.

Não pensem que é exagero dizer que, este é o caminho da destruição do regime democrático, promovido pelo governo do PSD/CDS-PP a mando da Troika do qual o PS foi o primeiro subscritor.

Quem, como nós, viveu num tempo de opressão e exploração e, sem condições mínimas de vida, em que o sonho de sermos livres, de dar largas à revolta da falta de liberdades constituiu uma postura combativa, sabe bem que é possível transformar o sonho em realidade.

Com orgulho de sermos trabalhadores e lutando para satisfazer justos anseios, em oposição às classes parasitárias e exploradoras, fez de nós intervenientes activos na luta pela mudança das nossas vidas.

Muitos de nós, trabalhadores que fomos das fábricas, dos campos, das empresas dos serviços, das forças armadas, pela luta organizada no plano político, social e cultural estivemos no centro da luta que levou à queda do regime fascista e à construção de um país livre e democrático.

É preciso lembrar que, nesse tempo, o analfabetismo imperava porque o ensino era privilégio de poucos, a maioria dos partos eram feitos em casa, existia uma elevada taxa de mortalidade
infantil e materna, a esperança de vida era de 60,7 anos, os serviços de saúde eram pagos por quem podia e os que não podiam pagar tinham de recorrer ao atestado de pobreza passados nas Juntas de Freguesia e as mulheres não podiam trabalhar ou deslocar-se ao estrangeiro sem autorização dos maridos.

Queridos netos, depois desses tempos de trevas chegaram os dias luminosos do 25 de Abril, fruto de muitas, muitas lutas: Lutas contra aquilo que parecia, um “muro intransponível”, ou como nos diziam “tem que ser assim, sempre foi assim…” Era uma maneira de dizer e de convencer, tal como hoje - “não há alternativas”.

As liberdades e os direitos políticos conquistados: de expressão, de manifestação, de associação, a liberdade sindical e o direito à negociação colectiva, a garantia do direito de todos ao Serviço Nacional de Saúde, o Sistema Público de Segurança Social e à Escola pública de qualidade; a reforma agrária nos campos do sul do País, a dinamização do associativismo dos agricultores a norte do País; o associativismo dos reformados, dos jovens, entre outros, resultou de muitas
lutas do nosso povo e dos jovens de então.

Hoje, na situação de reformados das nossas profissões, não nos reformámos da luta em defesa dos nossos direitos, mas igualmente da luta pelos direitos dos nossos filhos e netos.


Estão a ser atacados o nosso direito de envelhecer com direitos, com autonomia económica e social. Lutamos em sua defesa por nós e pelas futuras gerações.

Estamos atentos e interventivos na exigência de um Portugal com direitos e liberdades políticas e sociais para os trabalhadores nossos filhos e, para vós, nossos netos – as novas gerações produtivas, criadores de riqueza e, por isso, merecedoras de um nível de vida compatível com essa condição.

Está a ser posto em causa o vosso direito ao trabalho com direitos. A legislação laboral está a ser alvo de ataques violadores da Constituição da República, através de tentativas de liberalizar os despedimentos sem justa causa, de prolongar os horários de trabalho, da redução para metade do valor do trabalho em dias de descanso e das horas extraordinárias, da liquidação da contratação colectiva, da redução da duração e do montante do subsídio de desemprego para um limite máximo de dezoito meses.

É importante, que conheçam os princípios, valores e direitos da Constituição da República. O seu conteúdo ajuda a perceber as obrigações do Estado para com os cidadãos e o país. E, também, para perceber a diferença entre os direitos e dádivas dos governos, como a oferta de medicamentos em fim de prazo e os restos de comida para os pobres. Nós sabemos bem a diferença entre direitos e políticas assistencialistas e caritativas. E, sabemos o significado profundo da palavra dignidade – por isso não aceitamos e recusamos a transformação dos direitos em actos de caridade.

Está muito actual a conhecida frase de Bento Jesus Caraça – um homem culto é aquele que “Tem consciência da sua personalidade e da dignidade que é inerente à existência humana.”

Como exemplo de direitos constitucionais, o artigo 63º da Constituição da República: “Todos têm direito à segurança social.
Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais trabalhadores.”

Queridos netos.
Muitos de nós não temos heranças materiais para vos deixar. Temos um legado de saber e experiência, que nalguns casos levou a perdas de postos de trabalho, ou mesmo à prisão. Hoje, no século XXI, tal como no tempo da nossa juventude, para não se perderem direitos históricos e civilizacionais, a luta é uma exigência e uma necessidade.

A juventude é a idade dos sonhos.
É possível sonhar e alcançar sonhos que pareceriam inatingíveis, sonhos arrojados. Foi o que conseguimos na nossa juventude com a Revolução do 25 de Abril - o maior legado que deixamos
aos nossos filhos e netos – a luta e os seus resultados!

Encontro Nacional das Associações de Reformados, 22 de Outubro de 2011.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Contra a exploração e o empobrecimento

Contra a exploração e o empobrecimento
– Resolução do Conselho Nacional da CGTP-IN
Portugal desenvolvido e soberano
Greve Geral 24/Novembro/2011
Emprego, Salários, Direitos, Serviços Públicos

O país está confrontado com a apresentação pelo Governo
PSD-CDS, de um novo e agravado programa de austeridade, sem paralelo desde o 25
de Abril. Recorde-se que Portugal já conheceu os programas de desastre do FMI em
1978 e em 1983. O novo pacote de austeridade não significa apenas a recessão
económica, o empobrecimento generalizado da população e o aumento do desemprego.
Representa um ataque brutal à democracia e também um recuo civilizacional, que
põe em causa princípios basilares de estruturação social e direitos e garantias
fundamentais, consagrados na Constituição da República Portuguesa. O
país não pode responder a problemas económicos e sociais reais nem tem futuro
com uma política que subordina os interesses nacionais ao capital nacional e
multinacional e à estratégia das grandes potências europeias. Estamos
perante um programa de agressão aos trabalhadores, ao povo e ao país. As medidas
apresentadas são desastrosas, porque não só não resolvem a crise da dívida, como
a agravam. Estas medidas, a concretizarem-se, mergulhariam ainda mais o país na
recessão económica, que o Governo já admite seja da ordem dos 3% em 2012, o que
irá agravar, em vez de reduzir, o peso da dívida. As medidas do Governo
de direita do PSD-CDS, da UE, FMI e BCE são inadmissíveis, porque, ao ser
aprofundada a recessão, é criado um ciclo destrutivo de austeridade, de mais
recessão e aumento da dívida, a exemplo do que aconteceu na Grécia, com os
resultados desastrosos que hoje estão à vista de todos. O empobrecimento
dos trabalhadores, não só da Administração Pública, mas também do sector
privado, dos reformados e pensionistas e da população em geral é, não só
socialmente injusto e intolerável, como contraproducente, porque a quebra do
poder de compra está a ter efeitos devastadores no mercado interno, levando ao
encerramento de empresas e à consequente perda de postos de trabalho. A
generalidade da população, dos trabalhadores, dos jovens, dos desempregados e
dos reformados e pensionistas está a pagar a factura de uma crise que não
provocaram. Foram as políticas seguidas por sucessivos Governos que levaram às
perdas de competitividade da economia portuguesa; à liquidação de parte do nosso
tecido produtivo; a contratos desastrosos para o Estado no âmbito das parcerias
público-privadas; ao buraco do BPN, que poderá consumir 3 mil milhões de euros;
à não canalização do crédito ao sector produtivo; à falta de eficiência e a
baixa produtividade de muitas empresas; à corrupção, à fraude e evasão fiscais e
economia clandestina. Os buracos de que o Primeiro-Ministro fala têm
origem nestas políticas levadas a cabo por sucessivos governos e que este
prossegue e agrava com os impactos negativos de cada pacote de austeridade.
Esta é uma política de terra queimada! A não ser travada, a
concretização de mais privatizações, nomeadamente da captação, tratamento e
distribuição de água e resíduos, de redução de serviços nas empresas de
transportes, e de cortes no Estado Social, designadamente na segurança social,
na saúde e na educação, a par do agravamento da inflação, conduzirá a efeitos
desastrosos no desenvolvimento do país, na qualidade dos serviços públicos, na
política de prevenção e provocarão o aumento da precariedade, do desemprego, da
pobreza e da exclusão social. Em defesa dos direitos e dos interesses de
quem trabalha, mas também pelo futuro de Portugal, a CGTP-IN não aceita e tudo
fará para combater o roubo do subsídio de Natal de todos os trabalhadores em
2011, e dos subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores da Administração
Pública e do Sector Empresarial do Estado, assim como dos pensionistas em geral
para os próximo 2 anos, os cortes nos salários, o agravamento dos impostos, a
diminuição do valor e do poder de compra das pensões, a redução do subsídio de
desemprego e a eliminação do abono de família e do rendimento social de inserção
a milhares de famílias. Rejeitamos o aumento da duração do trabalho em
2,5 horas, das 40 para as 42,5 horas semanais, porque vai reduzir, em média, os
salários em 7% e aumentar o desemprego, mas também porque é ilegal e subverte a
negociação da contratação colectiva. Tal como a redução dos feriados,
que também se recusa, esta é uma medida que nada tem a ver com a redução da
dívida ou do défice. Trata-se, tão só, de uma transferência directa dos
rendimentos dos trabalhadores para os bolsos dos grandes accionistas e do grande
patronato. Intensificaremos a denúncia e combate aos ataques do Governo
de direita e do patronato que pretendem utilizar e instrumentalizar a
concertação social para pôr em causa direitos nucleares dos trabalhadores,
incluindo a proibição do despedimento sem justa causa, o direito constitucional
de contratação colectiva, as compensações por motivo de despedimento, a
protecção social no desemprego e a desregulamentação dos horários de trabalho.
Trata-se de uma subversão da Constituição da República Portuguesa.
Portugal precisa de uma outra política que exija a renegociação da
dívida – dos prazos, dos juros e dos montantes a pagar –, e promova o
crescimento e o emprego com direitos, aposte na dinamização do sector produtivo,
garanta o aumento dos salários e das pensões, assegure a defesa e o reforço das
Funções Sociais do Estado e dos serviços públicos, valorize o trabalho e
dignifique os trabalhadores. Neste sentido, o Conselho Nacional da
CGTP-IN, reunido a 18 e 19 de Outubro de 2011, decide:
Saudar as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras de todos os sectores
de actividade, assim como todos os que participaram nas Grandes Manifestações
realizadas no dia 1 de Outubro, em Lisboa e no Porto, exortando-os a prosseguir
a acção, a partir dos locais de trabalho, exigindo resposta positiva às suas
propostas e reivindicações;
Intensificar o esclarecimento e a mobilização dos trabalhadores e
trabalhadoras para as lutas que estão em curso e, desde logo, para a preparação
das acções de sensibilização, de mobilização e de presença na rua que terão
lugar entre 20 e 27 de Outubro ;
Apelar a todas as organizações sindicais, assim como aos trabalhadores dos
sectores privado e público, a indispensável convergência na acção com vista ao
reforço da unidade na acção a partir dos locais de trabalho, na luta contra
este programa de agressão , por melhores condições de vida e de trabalho,
por um Portugal com futuro;
Convocar uma Greve Geral para o dia 24 de Novembro de 2011 , contra a
exploração e o empobrecimento; por um Portugal desenvolvido e soberano; pelo
emprego; salários; direitos; serviços públicos;
Promover, através das Uniões Distritais de Sindicatos, no dia da Greve
Geral, acções públicas em diversos Distritos para dar expressão pública à
indignação geral contra a política de direita e as posições retrógradas do
patronato, e exigir uma mudança de política que respeite e valorize os
trabalhadores e assegure o desenvolvimento económico e social do país.
Lisboa, 19/10/2011 O original encontra-se em http://www.cgtp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=2272&Itemid=1

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eles roubam tudo...

Roubar é a sua profissão: eles roubam, roubam, roubam...

Roubam todos os dias e a todas as horas; roubam nos dias úteis e nos dias inúteis; roubam nos domingos, nos feriados e nos dias santos; roubam enquanto dormem e roubam quando estão acordados.

Eles roubam, encapotados, congelando salários e reformas, e roubam, sem máscara, subsídios de Natal a trabalhadores e reformados.

Eles roubam, à mão armada, o direito ao emprego aos jovens e roubam, a tiro, aos idosos, o direito à dignidade, condenando-os a reformas de miséria.

Eles roubam, em quadrilha, o direito ao pão a milhões e, sempre em quadrilha, concedem-lhes o direito à caridadezinha ultrajante e anti-humana.

Eles roubam direitos laborais e roubam direitos humanos fundamentais aos cidadãos.

Eles roubam serviços públicos essenciais, roubam o direito à saúde, à educação, à habitação – e roubam o direito à felicidade.

Eles roubam, roubam, roubam...

Eles roubam aos que trabalham e vivem do seu trabalho.

Eles roubam aos que já trabalharam e ganharam, com trabalho, o direito a uma velhice digna.

Eles roubam o emprego aos que querem trabalhar, pondo-lhes à frente espessos muros.

Eles roubam, roubam, roubam...

Eles roubam ao País a sua independência e, rastejantes, levam o roubo à boca dos grandes e poderosos da Europa e do mundo, aos quais lambem as mãos.

Eles roubam Abril – a democracia, a liberdade, a justiça social, a soberania nacional, a Constituição, o futuro – e semeiam sementes do passado que Abril venceu.

Eles roubam, roubam, roubam...

Roubar é a sua profissão.

E, quais robins dos bosques de patas para o ar, roubam aos pobres para dar aos ricos – e enchem, com o roubo, os cofres das grandes famílias, dos exploradores, dos vampiros parasitas.

E se alguém se engana com o seu ar sisudo e lhes franqueia as portas à chegada, eles roubam tudo e não deixam nada.

E poisam em toda a parte: poisam no governo e na presidência da República; poisam nas administrações das grandes empresas públicas e privadas; poisam nos bancos falidos fraudulentamente e nos bancos que, fraudulentamente, levam à falência as pequenas e médias empresas.

Poisam nos prédios, poisam nas calçadas...

A luta os vencerá.
Por: José Casanova
Avante de 08 de Agosto

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os Tróikas




DIGAM LÁ, Ó TRÓIKAS, QUEM É AMIGO, QUEM É ?

É assim a Igreja:
diz-se, em palavras, a favor dos oprimidos - age, de facto, a favor dos opressores;
promete benesses celestiais aos primeiros - favorece a abençoa as benesses terrenas dos segundos.
Com isto, conta sempre com o apoio de uns e dos outros:
os opressores apoiam-na olhando para os cofres; os oprimidos apoiam-na olhando para o céu...
E uns e outros dão graças a Deus quando o papa, o cardeal, o bispo, o padre pregam as virtudes da caridade - perdão: da CARIDADE! - cuja é, como os opressores sabem e os oprimidos desconhecem, a Madre que alimenta toda esta hipocrisia.
E é assim - alimentando-se da fartura de uns; da miséria de outros; e das graças-a-Deus de todos - que a Igreja se vai governando.
E bem!

Vem isto a propósito das palavras ontem proferidas pelo Cardeal Patriarca de Lisboa na procissão do Corpo de Deus - que, segundo os jornais, juntou em Lisboa 10 mil... ia escrever: oprimidos... mas escrevo: pessoas.
(é que os opressores raras vezes vão a estas coisas: eles sabem, desde tempos imemoriais, que tudo o que ali vai ser dito pelo orador de serviço é em seu benefício - e sabem que os oprimidos comparecerão em massa para aplaudir o orador. Ou seja: confiam absolutamente nos desígnios de Deus e dos seus representantes e representados na Terra...)

Então, foi perante um abundante e receptivo auditório, que D. José Policarpo fez o que tinha a fazer: pediu «ajuda para os que têm fome»;
e lembrou que «a Eucaristia é o sacramento da caridade»;
e asseverou que «a comunhão do Corpo de Deus introduz-nos na experiência da caridade»;
e garantiu que «a evangelização é uma exigência da caridade»...
E em verdade vos digo, irmãos - isto digo eu - que, depois disto, não há fome que resista a tanta caridade...

Portanto... há que esperar por ela - perdão: por ELA!
Portanto... sentai-vos, famélicos de Portugal, e orai!

Portanto... digam lá, ó troikas, quem é amigo, quem é?



Por Fernando Samuel, em Cravo de Abril

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Duas marcas

1. A televisão tem estado cheiinha da notícia: aí está ele, o governo. Não um governo qualquer. Nem sequer um qualquer governo de direita. Trata-se de um governo que, emergindo de uma maioria parlamentar absoluta, se prepara não só para ajustar contas com o 25 de Abril mas também para destruir o que dele reste. Há sérias razões para admitir que o País está perante o projecto silencioso, talvez até em certa medida inconsciente de si próprio, de refundar um salazarismo sem Salazar, sem polícia política e sem censura oficial (aliás tornada inútil perante a evidente eficácia das formas actuais de censura instaladas na generalidade dos media dominantes). E a abundante informação que a TV nos fornece acerca do governo Coelho/Portas, como aliás é seu dever fornecer, não tem a mínima preocupação em dourar a pílula amaríssima, se não venenosa, que a Europa dos Ricos prescreveu para administração urgente ao povo português: em nome do interesse nacional, como sempre se faz quando se trata de agredir as populações, vão ser atirados para o desemprego milhares de trabalhadores, vai ser extorquido mais dinheiro aos doentes e aos deficientes, vai ser reduzido por alegada falta de meios o apoio ao milhão e tal de velhos que já se arrasta na pobreza E não sou eu quem o diz ou aqui o inventa: foi a TV que nos últimos dias me veio ensinando isto e muito mais, numa quase alegre profecia fácil das desgraças a que o povo português foi sentenciado.

2. Compreender-se-á, espero, que nestas colunas se dê especial atenção a duas marcas que este governo desde já ostenta e de que se diria serem claras, por óbvias, se não fossem de facto nigérrimas por ilustrarem, além do mais, a sinistra mistura de ódio e medo que através dos tempos a direita sempre arrasta na sua bagagem relativamente à cultura. Não poderá dizer-se, decerto, que ela não tem boas razões para isso: a cultura ilumina e a direita obscurece para confundir, a cultura revela o mundo e a vida enquanto a direita lhes falsifica a imagem, a cultura liberta e a direita oprime. Objectar-se-á talvez que a direita sempre tem contado com gente de boa craveira cultural/intelectual entre os seus. Mas convém saber que essa espécie de situação contranatura decorre da existência de contradições internas na personalidade ou no pensamento das figuras que concretamente ilustram essas situações paradoxais ou de excepção. Nem todos podem ser construídos de uma só peça e a coerência, embora possa acontecer sem grande esforço, não é uma espécie de maná que caia do céu aos trambolhões.

3. As tais duas marcas a que me refiro, escolhendo-as entre outras por terem directamente a ver com as preocupações regularmente abordadas nestas duas colunas, são o projecto de privatização da televisão pública e a extinção do Ministério da Cultura. Até ao momento em que escrevo, não foram prestados ao País quaisquer esclarecimentos acerca do modo e do grau que consubstanciarão a anunciada privatização da TV estatal, sendo contudo muito provável que se trate de entregar a RTP1 a privados. Desde já é possível sublinhar, contudo, duas ou três coisas. A primeira delas será que, com provável excepção para a RTP África, cuja missão poderá talvez ser desempenhada pela RTP Internacional, todos os canais da RTP são necessários para que ela possa cumprir de facto os deveres de serviço público que lhe estão cometidos. A segunda nota será para sublinhar que, como aliás é praticamente consensual, o mercado telepublicitário já não suporta mais um canal concorrente sem que esse facto redunde em grave prejuízo financeiro para todas as operadoras. Por último, é preciso acentuar uma esquecida (ou escamoteada) verdade fundamental: sendo certo que a acção da Radiotelevisão Portuguesa tem estado longe de convergir para o cumprimento de um eficaz serviço público, designadamente na área da promoção e divulgação cultural, é evidente que o remédio para essa gravíssima omissão não é o despedaçamento da empresa ou a amputação dos canais decisivos para o êxito da sua missão. Alegar que para ter uma RTP que falha o seu dever mais valerá que o Estado se desfaça dela é, a menos que se trate de um caso de debilidade mental, uma tentativa um pouco ingénua de enganar as gentes. Mas elas, as gentes, de tanto serem enganadas já perderam um pouco a capacidade para identificarem os vários contos do vigário. Pelo que sempre convém preveni-las. Como agora e aqui se tenta fazer.
Publicada por Sérgio Ribeiro, no anónimo século xxi
Etiquetas: Correia da Fonseca

terça-feira, 28 de junho de 2011

Em Defesa dos Direitos Laborais, em Luta por Sociedade Melhor

Cabeçálho do Blog


Numa viagem pela blogosfera encontrámos um belíssimo trabalho de prospecção, no blog Jangada de Pedra, de André Levy , que nos chamou a atenção e que não resistimos em reproduzi-lo aqui em O Hermínio.
Este trabalho, que nos dá conta das muitas e muitas lutas recentes que foram, e são, travadas em muitas frentes e sectores e que a imprensa, do sistema estrategicamente nos quer ocultar, mas… há sempre muita gente que está atenta!

Retomo a escrita neste blog, após um interregno, com a compilação (incompleta) das lutas de trabalhadores realizadas em Portugal até Maio. Esta compilação é feita com base na agenda da CGTP e nas notícias do Avante!. [A lista de lutas de 2010 não se encontra ainda completa, mas está em construção]



JANEIRO 2011


Os trabalhadores dos bingos Brasília e Olímpia, no Porto, passaram o ano pernoitando no local de trabalho, em defesa do emprego ameaçado pelas divergências entre a concessionária Varzim Sol e a SNGB, a quem aquela cedeu a exploração das salas de jogo. Os estabelecimentos encerraram no dia 31 de Dezembro, mas os 110 trabalhadores não foram despedidos e o Sindicato da Hotelaria do Norte classificou o encerramento de ilícito, por não ser precedido de parecer da secretaria de Estado do Turismo, e exige solução por parte da Varzim Sol. Os trabalhadores permaneceram nas sala de jogo encerradas durante semanas tendo-se deslocado a Lisboa, no dia 18/Jan, para exigir a reabertura imediata das duas salas à Secretaria de Estado do Turismo.


Enfermeiros do Hospital Cândido Figueiredo, em Tondela, concentraram-se à entrada desta unidade de saúde chamando a atenção para o comportamento do conselho de administração, que «esbanja erário público, reduz o número de enfermeiros por turno e despede» profissionais, embora reconheça que seria necessário, ao invés, fazer admissões. [2/Jan]


Motoristas da transportadora de veículos Rodocargo, do Grupo Barraqueiro, pararam o trabalho e concentraram-se com as viaturas junto ao complexo onde está sediada a empresa, na Vala do Carregado, concelho de Vila Franca de Xira, protestando contra as pressões da gerência para que aceitem a redução do salário-base, de 607 para 550 euros, bem como a redução de outras verbas. [3/Jan]


Várias acções e lutas do sector dos transportes contra os cortes salariais e em defesa dos direitos adquiridos [7-14/Jan]


Manifestação Nacional, até residência oficial do Primeiro-Ministro, de várias estruturas sindicais dos Ferroviários: «Contra a diminuição dos salários, pela negociação colectiva; contra as privatizações, pela defesa do serviço público; contra o desinvestimento na ferrovia, por uma política ferroviária nacional; contra os despedimentos, pelo trabalho com direitos». [12/Jan]


Greve dos trabalhadores da CMLisboa em protesto contra a intenção de António Costa e da sua maioria na CML quanto à venda do Departamento de Saneamento à EPAL e a transferência da gestão dos Museus e Galerias para a empresa municipal EGEAC [13/Jan]


Concentração dos trabalhadores da empresa “FLOR DO CAMPO” junto à Segurança Social, em Lisboa, para pedir o Fundo de Garantia Salarial como forma de antecipar o pagamento da dívida que só vão começar a receber em 2011 [19/Jan]


Lutas dos Enfermeiros. Concentração junto M. Saúde – “Entrega de Fardas”, das Noções da Revolta e as Cartas de Indignação (negociação da carreira de enfermagem) [24/Jan] Paralisação dos serviços contra a proposta de projecto de diploma do Ministério da Saúde relativo a grelhas salariais e transições para a nova carreira de enfermagem. [27-29/Jan] Manifestação Nacional da Enfermagem, junto do Ministério da Saúde, contra a proposta de projecto de diploma do Ministério da Saúde relativo a grelhas salariais e transições para a nova carreira de enfermagem. [29/Jan]


Semana nacional de luta da CGTP-IN contra os ataques do Governo, sem precedentes, aos salários e aos direitos dos trabalhadores, com acções em duas dezenas de cidade do Continente e das regiões autónomas, juntando milhares de trabalhadores [23-29/Jan]


Concentração dos trabalhadores da empresa IFM/Platex, junto à A.R., pela defesa do aparelho produtivo e dos postos de trabalho. [24/Jan]


Greve dos trabalhadores dos CTT (CDP Monte da Caparica), contra a alteração do horário de trabalho e da retribuição [25-29 /Jan]


Greve dos trabalhadores dos restaurantes NOVOREST, com deslocação a Lisboa, contra o despedimento colectivo de 114 trabalhadores, promovido pela EUREST e pela MAKRO [28-Jan]


FEVEREIRO 2011


Greve dos trabalhadores do sector de higiene urbana, e de outras áreas da câmara de Loures cumpriram uma greve, contra a eliminação do subsídio de deslocação que recebiam há 28 anos, e cujo valor supera os 80 euros mensais. Esta medida afecta cerca de 1500 funcionários. [1-4/Fev]


Entrega de abaixo-assinado subscrito pela maioria dos trabalhadores da Simarsul, em Setúbal, contra os cortes salariais entre 3,5 e 10 por cento, no fim de Janeiro. É exigida a reposição dos montantes e o cumprimento das 35 horas semanais de trabalho. [3/Fev]


Greve dos trabalhadores dos Hóteis Tivoli Lisboa e Lisboa Jardim, com concentração dos trabalhadores junto à porta principal do Hotel Tivoli, pela aplicação do CCT e contra a repressão nas empresas [4-5/Fev]


Manifestação Nacional da Administração Pública, Lisboa, dos Restauradores até o Ministério das Finanças. Objectivos centrais da luta: Salários e pensões dignos, com reposição do poder de compra perdido; Avaliação e Desempenho; Manutenção do horário de 35 horas semanais e 7 diárias, contra a adaptabilidade e a flexibilidade; Revogação e/ou alteração das normas mais gravosas da nova legislação da Administração Pública, com a reposição do vínculo de nomeação a todos os trabalhadores da AP; Reposição das condições de aposentação anteriores a 2004. [5-Fev]


Semana de greves, em todo o sector dos Transportes e Comunicações, contra os cortes salariais, as privatizações e a destruição de postos de trabalho, incluindo trabalhadores da CP, CP Carga EMEF, Reger, CTT, Metropolitano de Lisboa, Soflusa, e rodoviárias privadas de passageiros [7-11/Fev]


Concentração, diante da Assembleia da República, dos docentes de Educação Visual e Tecnológica, cujos postos de trabalho estão ameaçados pela eliminação do par pedagógico, nesta disciplina [8/Fev]


Greve dos trabalhadores CTT (CDP Tomar), contra a alteração do horário de trabalho e da retribuição [1-5/Fev] Greve dos trabalhadores CTT (CDP Leiria) (2º período), contra a alteração do horário de trabalho e da retribuição [8-9/Fev]


Concentração de Activistas da FIEQUIMETAL, seguida de deslocação à ANIMME e ao Ministério do Trabalho, em Lisboa. Acção conjunta dos representantes dos trabalhadores do âmbito da FIEQUIMETAL, pela defesa da contratação colectiva, por aumentos salariais justos e pela defesa do emprego. [12/Fev]


Greve dos trabalhadores da EUREST, no Refeitório da Sonae Indústria, em Oliveira do Hospital, pelo pagamento do subsídio de alimentação na retribuição de férias e no subsidio de natal. [12/Fev]


Greve dos Mineiros da SOMINCOR por tempo indeterminado, durante as primeiras duas horas de cada turno, para assegurar um aumento de cem euros no valor do «subsídio de fundo», para quem labora no interior da mina, e o pagamento integral, a todos os trabalhadores da mina de Neves Corvo, da compensação do Dia de Santa Bárbara (padroeira dos mineiros, a 4 de Dezembro). Em 2009, a administração pagou só metade da compensação que decidiu aplicar, quando resolveu que trocava o dia de não laboração por um valor monetário. É exigida a garantia de pagamento da compensação na íntegra também nos anos seguintes. [17/Fev - 20/Mar]


"Cerco" à Segurança Social (junto ao edíficio da Segurança Social), da União dos Sindicatos de Aveiro, para exigir que a Segurança Social deixe de ser utilizada como uma "vaca leiteira" do patronato e do Governo, exigir melhores pensões e a revogação do factor sustentabilidade, reclamar novas fontes de financiamento da Segurança Social. [18/Fev]


Paralisações diárias de 30 minutos dos trabalhadores da CACIA-Renault, perante a recusa da Administração da empresa de negociar o Caderno Reivindicativo, nomeadamente, as matérias de expressão pecuniária, e porque não tiveram aumento de salário no ano de 2009, decidiram realizar paralisações diárias de 30 minutos, a meio de cada horário de trabalho, com concentração dos trabalhadores em frente do edifício da Administração. Decidiram também fazer greve ao trabalho suplementar, em dias de semana, de descanso semanal e feriados. [18-28/Fev]


Concentração frente ao Centro de Emprego da Guarda, seguida em cordão humano à ACT (delegação DA Guarda) e ao Governo Civil da Guarda, pela melhoria das condições de vida e de trabalho, contra a precariedade e o desemprego. [22/Fev]


Acções do sector dos transportes e comunicações e dinamizada pela FECTRANS (Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações) entre 23 e 26 de Fevereiro:
- Concentração dos trabalhadores da Rodoviária de Lisboa, junto à sede [23/Fev]
- Concentração dos trabalhadores das empresas VIMECA e SCOTTRUB e distribuição de documentos, durante todo o dia [24/Fev].
- Concentração dos trabalhadores da EMEF (Porto/Guifões) junto ao G. Civil do Porto [25/Fev]
- Plenário de trabalhadores da EMEF (Barreiro) com deslocação à Câmara Municipal. [26/Fev]
- Greves na Secil e na CMP, ambas integradas no Grupo Semapa [21/Fev]
- Paralisações na Saint Gobain Mondego. [22/Fev]
- Na REN a luta abarcou o mês de Março.


Concentração de cerca de 300 trabalhadores, na sua maioria mulheres, em representação dos mais de mil da Manutenção Militar (MM) e dos 340 das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento das Forças Armadas (OGFE), diante do Ministério da Defesa, em Lisboa, para reclamar medidas que evitem a extinção dos estabelecimentos e garantam os postos de trabalho, ameaçados com a «mobilidade especial». [23/Fev]


Plenário Geral da Limpeza Urbana da C.M.Lisboa [23-24/Fev]; Plenário Geral de Trabalhadores Ex. vínculos precários da C.M.Lisboa [24/Fev]


Acção de denuncia junto ao Hospital S.José dos trabalhadores da IBERLIM. Os trabalhadores e as organizações sindicais da CGTP-IN nos Hospitais decidiram realizar uma acção de solidariedade com a justa luta dos trabalhadores da IBERLIM que lutam contra discriminação (ilegal) e actuação repressiva aos trabalhadores sindicalizados do STAD da seguinte forma: A) paga salários mensais inferiores; B) não atribui trabalho (suplementar)aos fins-de-semana e C) aplica sanções ilegais e abusivas aos trabalhadores que aderiram a Greves realizadas no ano passado. [24/Fev]


Greve de trabalhadores não docentes do agrupamento de escolas da Sertã. Em causa estava a não abertura de concursos para a integração de sete auxiliares da acção educativa, que fazem nos estabelecimentos onde trabalham [24/Fev]


Greve na UNILEVER, com concentração, em Lisboa, junto da sede da empresa [25/Fev]


Concentração à porta da empresa RESIQUIMICA (Parque Industrial de Sintra) [25/Fev]


Concentração e desfile de jovens trabalhadores dos sectores dos transportes e comunicações, dos Restauradores ao Ministério dos Transportes e Comunicações, com deslocação ao Ministério da Trabalho. Varias concentrações sectoriais junto às E.P.’s seguidas para o M.T., no âmbito da acção nacional descentralizada. [25/Fev]


Greve na SUCH, com deslocação das trabalhadoras para a Concentração da USL. [25/Fev]


Greve das trabalhadoras da Triumph com deslocação ao M.Trabaho [25/Fev]


Greve dos trabalhadores da CENTRALCEL [25/Fev]


Greve Nacional dos Enfermeiros do INEM [25/Fev]


Greve dos trabalhadores da SOPLACAS e da CIMIANTO (Sector da Cerâmica) [25/Fev]


Greve dos trabalhadores da SECIL PREBETÃO [25/Fev]


Greve nacional dos trabalhadores das Cantinas, Refeitórios e Fábricas de Refeições, com uma concentração frente à Associação Patronal AHRESP , pela defesa do Contrato Colectivo e contra o boicote patronal de negociar [25/Fev]

Acções de denúncia pública com distribuição de comunicados, dos trabalhadores com salários em atraso e com trabalho precário, das empresas:
ESIP e SARDINAL, com concentração junto às sedes das empresas, em PENICHE); RINO & RINO, BONVIDA e VIVEIROS S. JORGE (com concentração junto às sedes das empresas na BATALHA); KEY PLASTICOS e CARIANO (com concentração junto às sedes das empresas em LEIRIA) [25/Fev]


Greve de 24 horas dos trabalhadores da CEL-CAT [26/Fev]


Concentração em Coimbra, na Praça 8 de Maio, com deslocação, em manifestação, até ao G. Civil, no âmbito da Acção Nacional de Luta [26/Fev]


Manifestação na Covilhã, no âmbito da Acção Nacional Descentralizada [26/Fev]


Protesto contra os gastos com a apresentação dos novos autocarros de dois pisos, em Castelo do Queijo, promovida pelos trabalhadores da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto. Os cortes salariais, a redução da oferta de transporte e falhas entre os horários afixados e os realmente cumpridos, foram outras razões fundamentais do protesto. [27/Fev]




MARÇO 2011


Greve parciais dos trabalhadores da VISTEON em Palmela por aumentos salariais e estabilidade no emprego [1/Mar]


Concentração de ORT's e trabalhadores dos TRANSPORTES junto do Ministério dos Transportes, em defesa do aumento dos salários, pelo cumprimento dos AE's e dos acordos firmados, pela defesa do emprego e contra a precariedade, contra a discriminação a jovens trabalhadores e pela melhoria das condições de trabalho. [2/Mar]


Luta dos trabalhadores da CM Loures. Depois de uma greve de cinco dias, em Fevereiro, registaram-se protestos, culminando numa vigília de três horas diárias frente à Câmara, com erca de quatro centenas de trabalhadores, para reivindicarem a reposição do subsídio de deslocação que auferiam há 28 anos. [2/Mar]


Início de Greve dos Professores às horas extraordinárias que se prevê prolongar até 30 de Junho. [3/Mar]


Greve Nacional dos trabalhadores da Função Pública contra o congelamento dos aumentos salariais [4/Mar]


Tribuna Pública na Praça da República, de Viana do Castelo, no âmbito da Acção Nacional Descentralizada [5/Mar]


Concentração de trabalhadores da empresa João Baltazar e Andrade, em Corroios. junto à residência da gerência, pela defesa dos postos de trabalho e dos seus direitos. [5/Mar]


Greve no Clube Estrela da Amadora contra a falência fraudulenta, pelo recebimento dos salários e contra o despedimento colectivo ilegal [6-7/Mar; 16/Mar]


Greve dos 32 trabalhadores do café «A Brasileira», no Chiado: terceira paralisação no espaço de ano e meio tem como objectivo resolver problemas que se arrastam há mais de um ano, nomeadamente o incumprimento do contrato colectivo de trabalho, a repressão da gerência contra os trabalhadores inscritos no sindicato, e a recusa desta em reunir com os legítimos representantes laborais. [6/Mar]


Concentração no Jardim da República, Santarém, com deslocação ao Governo Civil. [11/Mar]


Manifestação da «Geração à Rasca» pelo direito ao emprego, à educação, pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade, e pelo reconhecimento das qualificações, competências e experiência, espelhado em salários e contratos dignos. [12/Mar]



Comício de Professores e Educadores encheu Campo Pequeno [12/Mar]


Jornada Nacional de luta, convocada pela Fiequimetal e os sindicatos filiados, com paralisações do trabalho e acções com impacto público. A negociação da contratação colectiva, o aumento dos salários, o combate à precariedade e a garantia dos direitos dos trabalhadores são objectivos principais desta jornada [12/Mar]


Concentração / Manifestação, em Braga, inserida na Semana de Luta contra a precariedade e o Desemprego [12/Mar]


Concentração na Praça Barão da Batalha. Abrantes, com deslocação ao Tribunal do Trabalho de Abrantes de delegação de trabalhadores da Metanova a reclamar o pagamento de créditos que lhes são devidos há mais de 25 anos. [15/Mar]


Greve dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa contra «brutais medidas que superam o corte efectuado em várias empresas públicas», e para responderem a um clima laboral que «está nitidamente a deteriorar-se», graças à «repressão através de processo disciplinares» [15 e 24/Mar]


Concentração no Jardim da Av. Dr. João Martins de Azevedo, em Torres Novas [16/Mar]


Greve dos trabalhadores da EMEL pelo direito à contratação colectiva, por categorias profissionais, contra o aumento dos horários de trabalho e por condições de higiene e de segurança, que se encontram em estado de «degradação contínua» [14-18/Mar]


Concentração junto à Câmara Municipal de Coruche, no âmbito da Acção Nacional Descentralizada. [18/Mar]


Dia Nacional de Protesto e Exigência [19/Mar]


Greve de 32 horas de 86 por cento dos trabalhadores da Valorsul, afectando a incineração de resíduos sólidos e a produção de energia eléctrica. Foram encerrados os cinco estabelecimentos da empresa e foi interrompida a recolha de lixo nos concelhos de Loures e Odivelas, até à manhã de sábado. [18-/Mar]


Greve dos trabalhadores dos Transportes Sul do Tejo (TST), com realização de Plenário com recolha de viaturas. Os trabalhadores estão em luta por aumentos salariais justos, pela defesa do AE e pelos direitos nele consagrados. [19/Mar]


Concentração na Praça da República, em Tomar. Durante a manhã contactos com a população e desfile dos trabalhadores da IFM/Platex pelo Centro de Emprego, Segurança Social e Câmara Municipal, no âmbito da Acção Nacional Descentralizada [19/Mar]


Plenário de Rua no Largo da Misericórdia, em Setúbal, no âmbito da Acção Nacional de Luta [19/Mar]


Greve dos trabalhadores da S2M, em defesa dos postos de trabalho, que não foram acautelados pela Metro do Porto e Governo, no concurso de concessão em curso [22-23/Mar]


Greves parciais dos trabalhadores da fábrica Kemet Electronics, em Évora, de duas horas no princípio de cada turno para reivindicarem aumentos salariais e protestar contra a decisão da administração da empresa de suprimir o pagamento do subsídio de turno e do trabalho nocturno, o que significou uma «redução nos salários na ordem dos 30 por cento» [22-25/Mar]


Greve nas empresas do sector FERROVIÁRIO (CP, REFER e EMEF) em defesa dos salários e dos direitos; Contra a precariedade. [23/Mar]


Greve dos os trabalhadores da Transtejo contra a violação «intencional» do Acordo de Empresa pela administração, por três horas por turno e às horas extraordinárias, durante 60 dias, recusando deslocações para fora do rio Tejo. [23/Mar]


Greve Nacional da VIGILÂNCIA PRIVADA - Transporte de Valores das empresas Esegur – Loomis – Prosegur – Grupo 8 por aumentos salariais justos e dignos; contra o aumento de 0,2% proposto pelos patrões; pela criação de categorias profissionais qualificantes para os trabalhadores e valorizantes para o sector. [25-26/Mar]


Greve Nacional da VIGILÂNCIA PRIVADA - instalações aeroportuárias dos aeroportos de Lisboa, Porto Faro, R.A. Madeira e R.A. Açores pela criação de categorias profissionais qualificantes ara os trabalhadores e valorizantes para o sector. [25/Mar]


MANIFESTAÇÃO DA JUVENTUDE TRABALHADORA – LISBOA, sob o lema:Geração com direitos; Garantia de futuro; Lutamos pela Estabilidade do Emprego; Salários e Horários Dignos [26/Mar]


Concentração dos trabalhadores das CERVEJARIAS TRINDADE e PORTUGÁLIA, para exigir aumentos salariais e negociação do Caderno Reivindicativo [26/Mar]


Trabalhadores do Grupo Pestana Pousadas em Luta com acções de denúncia junto dos clientes das Pousadas dos Lóios em Évora e S. Francisco em Beja. Os trabalhadores lutam por aumentos salariais e contra a repressão existente nas Pousadas [27/Mar]


A grande adesão à greve na na antiga Portucel Viana (Europac), parando toda a produção, tanto de energia, como de pasta e papel [26-29/Mar]


GREVE dos Enfermeiros, devido ao impasse no processo negocial da carreira de enfermagem. [29/Mar-1/Abr]


Luta que culminou na greve de 31 de Março, a CRH, a Tempo Team e, sobretudo, a EDP ficaram a saber que os trabalhadores do atendimento comercial estão unidos e firmes na defesa dos seus justos direitos e interesses.


ABRIL 2011


Manifestação Nacional de Jovens Trabalhadores contra a precariedade, o desemprego e os baixos salários [1/Abr]


Mantêm-se as lutas nas empresas de transportes públicos, com os sindicatos a considerar que a solução definitiva dos conflitos dependerá de actos e compromissos concretos do Governo e das administrações:
- greve ao trabalho suplementar dos trabalhadores da CARRIS, CARRISBUS e CARRISTUR e, contra o facto do C.A. da Carris manter a sua postura de não contabilizar as anuidades/diuturnidades e o agente único no preço/hora do trabalho suplementar, levando a que os trabalhadores do tráfego, no trabalho suplementar que têm de fazer fruto dos atrasos gerados pelo serviço, continuem a desempenhar funções de agente único sem serem pagos para isso. [-8/Abr]
- greves dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa contra a redução dos salários, o aumento do custo de vida e pela melhoria das condições de vida e de trabalho e a defesa do serviço público [5,7/Abr]


Concentração de Dirigentes e delegados sindicais da EDP e da REN, contra as decisões que cortam o valor da remuneração do trabalho e para exigir uma actualização salarial melhor para os trabalhadores [14/Abr]


Dezenas de trabalhadoras e trabalhadores das empresas corticeiras Vinocor e Subercor, do Grupo Suberus, concentraram-se junto ao Tribunal de Santa Maria da Feira, procurando chamar a atenção para os graves problemas causados pelo arrastamento dos processos de insolvência. [15/Abr]


Greve ao trabalho extraordinário na mina da Panasqueira começou no domingo de Páscoa, com a adesão de praticamente todos os trabalhadores.


Greve de dois dias dos trabalhadores dos CTT no distrito de Portalegre teve uma adesão de 75 por cento; luta foi convocada contra o agenciamento da distribuição de correspondência, entregando o serviço a pessoal não pertencente ao quadro. Os trabalhadores defendem que os CTT admitam mais trabalhadores nos seus quadros, exigem que seja pago o subsídio de deslocação e recusam o progressivo encerramento de estações dos CTT no distrito. [26-28/Abr]


Greve de duas horas, no início de cada turno, dos cerca de 150 trabalhadores da Moveaveiro contra o facto de não lhes ter sido assegurado o pagamento dos salários no dia 20. [21/Abr]


Greve dos Trabalhadores dos CTT no distrito de Portalegre.Pelo fim do clima de permanente conflito e contra a chantagem e intimidação aos trabalhadores. Exigem uma gestão competente à altura das necessidades dos CTT e da população [26-27/Abr]


Protesto Nacional dos trabalhadores das empresas do Sector Aviação e Aeroportos com concentração em Lisboa, em defesa da contratação colectiva, dos salários e das carreiras. [27/Abr]
Posted André Levy

domingo, 19 de junho de 2011

6º Aniversário da Morte de Vasco Gonçalves


Para sempre na memória e no coração
dos homens e mulheres de Abril


Mais de uma centena de pessoas participaram, sábado, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, numa romagem de homenagem ao General Vasco Gonçalves, por ocasião do sexto aniversário da sua morte.








Com esta iniciativa, promovida pela Associação Conquistas da Revolução, pretendeu-se recordar a memória do «Companheiro Vasco», figura maior da história da nosso País, para sempre ligado à Revolução de Abril e ao processo revolucionário que lhe sucedeu, que se traduziu em importantes e significativos avanços económicos, políticos, sociais, culturais, civilizacionais.

«Irradiava do General Vasco Gonçalves um dom pouco vulgar que se designa por carisma, que, através da palavra e do gesto, da entoação e da postura, actua de tal modo sobre as pessoas que as faz crer, ganhar confiança e força, encarnando algo por que ansiavam e acreditaram poder alcançar através dele», afirmou, na ocasião, o Comandante Manuel Begonha, frisando: «Apenas com a palavra foi capaz de derrubar as cortinas do desespero, fazendo surgir a luz da esperança».

Na sua intervenção, escutada depois de um minuto de silêncio, foi ainda valorizada a condição de Vasco Gonçalves de «engenheiro, amante da música, da matemática e da literatura, competente técnico e militar exigente, respeitador da disciplina e da ordem». Tudo isto, «num vendaval de opiniões, iniciativas, desencantos e decepções próprias de um período revolucionário».

«Para ele a política, a moral e a ética eram inseparáveis, sem que tal implicasse fraqueza ou ingenuidade», recordou, citando-o, num discurso em Almada: «O socialismo que queremos consiste também na possibilidade de cada cidadão ser um homem de lisura, um homem limpo, um homem íntegro, um homem transparente».

Palavras que espelham a personalidade de Vasco Gonçalves. «A sua liderança não implicava qualquer tipo de autoritarismo, sendo antes através do exemplo que transmitia as suas directivas, como um líder no topo que nunca esquecia a base», afirmou Manuel Begonha, continuando: «Respeitava as outras pessoas pelas suas opiniões, mesmo que não concordasse com elas, ou se quisermos, era capaz de discordar respeitando ao mesmo tempo a pessoa».

Entretanto, a Revolução ia consolidando as suas conquistas, criando novos rumos que Vasco Gonçalves impulsionou e que se revelaram de importância nacional e internacional, pois apontavam os caminhos do futuro.

«Estas conquistas e a sua consequente diluição [com a contra-revolução] muito custaram ao General, pois foram muitas vezes ameaçadas pelas armas, quando este pensava "que as armas que protegiam a Revolução não a tornavam invencível, porque quem pegar em armas irá padecer perante as armas"», salientou o Comandante, recordando que o General «não tinha ambições de poder», mostrando a sua firmeza ao dizer: «Ninguém está agarrado ao lugar, mas todos estamos ligados à Revolução. Uma revolução que não queremos ver recuar e muito menos perder» e, noutra situação, «O MFA só fixa um objectivo: lançar os fundamentos para que o povo português possa escolher livremente as instituições para que se quer reger. Depois recolheremos aos quartéis para defender as conquistas democráticas.»



Defender as conquistas de Abril



«Passados todos estes anos e face à implacável ofensiva, que se tem agravado, para destruir as conquistas da Revolução e a democracia de Abril, o pensamento e a obra do General Vasco Gonçalves, que não se podem aprisionar, continuarão a ser estudados, visto ser um poderoso instrumento de transformação social», salientou Manuel Begonha, da Associação Conquistas da Revolução, frisando: «Não tenho dúvidas de que Portugal no futuro chegará à conclusão de que este homem estava certo, sendo aqueles que o derrubaram quem deveriam ter sido julgados como verdadeiros criminosos».

Neste sentido, continuou, «devemos ser dignos de Vasco Gonçalves, que perseguiu sempre o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivam em comunidade, pacificamente e com igualdade de oportunidades». «Nós temos que ser a geração dos homens que se sacrificaram», disse, um dia, Vasco Gonçalves.

Em nome do General Vasco Gonçalves, o Comandante leu uma frase de Brecht: «Não necessito de pedra tumular, mas se necessitarem de uma para mim, gostaria que nela estivesse: Ele fez sugestões, nós as aceitámos. Por tal inscrição, estaríamos todos honrados».

Este momento, onde os cravos de Abril marcaram presença, contou com a participação, entre muitos outros, do Comandante Costa Santos, Manuel Sá Marques, Coronel Duran Clemente, Sargento Joaquim Ponte, Coronel José Emílio da Silva, Filipe Diniz, Capitão de Mar e Guerra Henrique de Mendonça, Cabo Vítor Lambert, Comandante Rodrigues Soares, Modesto Navarro, Capitão de Mar e Guerra Vieira Nunes, José Sucena, Beatriz Nunes, José Capucho, Nuno Lopes, Coronel Santos Silva, Coronel Bilstein Sequeira, Comandante Sequeira Alves, Vítor Neves, Coronel Andrade Silva, Comandante Loureiro Barbosa, Rita Magrinho, Margarida Aboim Inglês, Luísa Ramos, Martins Nabais, Sargento Manuel Custódio, Vítor Agostinho, José Casanova, Glória Marreiros, Valdemar Santos, João Paiva e Capitão de Mar e Guerra Armando Nabais.



Associação Conquistas da Revolução



A Associação Conquistas da Revolução, com mais de 500 associados, terá a sua primeira Assembleia-Geral no dia 18 de Junho, na Casa do Alentejo, em Lisboa, onde serão discutidos os objectivos e os estatutos da associação, assim como eleita a Comissão Instaladora, para, em Outubro, ser feita a eleição dos órgãos dirigentes. «Queremos e vamos continuar a honrar o General Vasco Gonçalves, revolucionário do 25 de Abril e de Portugal», salientou, na ocasião, Modesto Navarro, lembrando: «Com a situação que hoje atravessamos, há todas as razões para defender as conquistas de Abril. Nós não as traímos, retomamo-las e queremos que elas se desenvolvam em Portugal».

















terça-feira, 5 de abril de 2011

Porque silenciam a ISLÂNDIA??

PARA LER, MEDITAR E AJUDAR A VOTAR NO PRÓXIMO DIA 5 DE JUNHO.


(Estamos neste estado lamentável por causa da corrupção interna - pública e privada com incidência no sector bancário - e pelos juros usurários que a Banca Europeia nos cobra. Sócrates foi dizer à Sra. Merkle - a chanceler do Euro - que já tínhamos tapado os buracos das fraudes e que, se fosse preciso, nos punha a pão e água para pagar os juros ao valor que ela quisesse. Por isso, acho que era altura de falar na Islândia, na forma como este país deu a volta à bancarrota, e porque não interessa a certa gente que se fale dele) Não é impunemente que não se fala da Islândia (o primeiro país a ir à bancarrota com a crise financeira) e na forma como este pequeno país perdido no meio do mar, deu a volta à crise. Ao poder económico mundial, e especialmente o Europeu, tão proteccionista do sector bancário, não interessa dar notícias de quem lhes bateu o pé e não alinhou nas imposições usurárias que o FMI lhe impôs para a ajudar. Em 2007 a Islândia entrou na bancarrota por causa do seu endividamento excessivo e pela falência do seu maior Banco que, como todos os outros, se afogou num oceano de crédito mal parado. Exactamente os mesmo motivos que tombaram com a Grécia, a Irlanda e Portugal. A Islândia é uma ilha isolada com cerca de 320 mil habitantes, e que durante muitos anos viveu acima das suas possibilidades graças a estas "macaquices" bancárias, e que a guindaram falaciosamente ao 13º no ranking dos países com melhor nível de vida (numa altura em que Portugal detinha o 40º lugar). País novo, ainda não integrado na UE, independente desde 1944, foi desde então governado pelo Partido Progressista (PP), que se perpetuou no Poder até levar o país à miséria. Aflito pelas consequências da corrupção com que durante muitos anos conviveu, o PP tratou de correr ao FMI em busca de ajuda. Claro que a usura deste organismo não teve comiseração, e a tal "ajuda" ir-se-ia traduzir em empréstimos a juros elevadíssimos (começariam nos 5,5% e daí para cima), que, feitas as contas por alto, se traduziam num empenhamento das famílias islandesas por 30 anos, durante os quais teriam de pagar uma média de 350 Euros / mês ao FMI. Parte desta ajuda seria para "tapar" o buraco do principal Banco islandês. Perante tal situação, o país mexeu-se, apareceram movimentos cívicos despojados dos velhos políticos corruptos, com uma ideia base muito simples: os custos das falências bancárias não poderiam ser pagos pelos cidadãos, mas sim pelos accionistas dos Bancos e seus credores. E todos aqueles que assumiram investimentos financeiros de risco, deviam agora aguentar com os seus próprios prejuízos. O descontentamento foi tal que o Governo foi obrigado a efectuar um referendo, tendo os islandeses, com uma maioria de 93%, recusado a assumir os custos da má gestão bancária e a pactuar com as imposições avaras do FMI. Num instante, os movimentos cívicos forçaram a queda do Governo e a realização de novas eleições. Foi assim que em 25 de Abril (esta data tem mística) de 2009, a Islândia foi a eleições e recusou votar em partidos que albergassem a velha, caduca e corrupta classe política que os tinha levado àquele estado de penúria. Um partido renovado (Aliança Social Democrata) ganhou as eleições, e conjuntamente com o Movimento Verde de Esquerda, formaram uma coligação que lhes garantiu 34 dos 63 deputados da Assembleia). O partido do poder (PP) perdeu em toda a linha. Daqui saiu um Governo totalmente renovado, com um programa muito objectivo: aprovar uma nova Constituição, acabar com a economia especulativa em favor de outra produtiva e exportadora, e tratar de ingressar na UE e no Euro logo que o país estivesse em condições de o fazer, pois numa fase daquelas, ter moeda própria (coroa finlandesa) e ter o poder de a desvalorizar para implementar as exportações, era fundamental. Foi assim que se iniciaram as reformas de fundo no país, com o inevitável aumento de impostos, amparado por uma reforma fiscal severa. Os cortes na despesa foram inevitáveis, mas houve o cuidado de não "estragar" os serviços públicos tendo-se o cuidado de separar o que o era de facto, de outro tipo de serviços que haviam sido criados ao longo dos anos apenas para serem amamentados pelo Estado. As negociações com o FMI foram duras, mas os islandeses não cederam, e conseguiram os tais empréstimos que necessitavam a um juro máximo de 3,3% a pagar nos tais 30 anos. O FMI não tugiu nem mugiu. Sabia que teria de ser assim, ou então a Islândia seguiria sozinha e, atendendo às suas características, poderia transformar-se num exemplo mundial de como sair da crise sem estender a mão à Banca internacional. Um exemplo perigoso demais. Graças a esta política de não pactuar com os interesses descabidos do neo-liberalismo instalado na Banca, e de não pactuar com o formato do actual capitalismo (estado de selvajaria pura) a Islândia conseguiu, aliada a uma política interna onde os islandeses faziam sacrifícios, mas sabiam porque os faziam e onde ia parar o dinheiro dos seus sacrifícios, sair da recessão já no 3º Trimestre de 2010. O Governo islandês (comandado por uma senhora de 66 anos) prossegue a sua caminhada, tendo conseguido sair da bancarrota e preparando-se para dias melhores. Os cidadãos estão com o Governo porque este não lhes mentiu, cumpriu com o que o referendo dos 93% lhe tinha ordenado, e os islandeses hoje sabem que não estão a sustentar os corruptos banqueiros do seu país nem a cobrir as fraudes com que durante anos acumularam fortunas monstruosas. Sabem também que deram uma lição à máfia bancária europeia e mundial, pagando-lhes o juro justo pelo que pediram, e não alinhando em especulações. Sabem ainda que o Governo está a trabalhar para eles, cidadãos, e aquilo que é sector público necessário à manutenção de uma assistência e segurança social básica, não foi tocado. Os islandeses sabem para onde vai cada cêntimo dos seus impostos. Não tardarão meia dúzia de anos, que a Islândia retome o seu lugar nos países mais desenvolvidos do mundo. O actual Governo Islandês, não faz jogadas nas costas dos seus cidadãos. Está a cumprir, de A a Z, com as promessas que fez. Se isto servir para esclarecer uma única pessoa que seja deste pobre país aqui plantado no fundo da Europa, que por cá anda sem eira nem beira ao sabor dos acordos milionários que os seus governantes acertam com o capital internacional, e onde os seus cidadãos passam fome para que as contas dos corruptos se encham até abarrotar, já posso dar por bem empregue o tempo que levei a escrever este artigo.


Texto Recebido por e-mail

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Contra Portagens

Em causa, a anunciada introdução de portagens nas auto-estradas A24 (Chaves - Viseu), A25 (Aveiro - Vilar Formoso) e A23 (Guarda - Torres Novas). A Câmara da Covilhã, a Comissão de Utentes das auto-estradas, a União de Sindicatos de Castelo Branco e o movimento Empresários pela Subsistência do Interior prometem encher a Praça do Município da Covilhã a partir das 16 horas. A população foi convidada a participar através de comunicados lançados por cada uma das entidades e por folhetos distribuídos nas caixas de correio. Um questionário promovido pelo movimento Empresários pela Subsistência do Interior a que responderam 542 empresas, revela que um terço delas prevê desinvestir e fazer despedimentos com a justificação da criação de portagens. Entretanto, o movimento juntou-se à Comurbeiras - Comunidade Urbana das Beiras na preparação de uma providência cautelar e de uma queixa ao Tribunal Europeu que pretendem travar a cobrança de portagens. O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, afirmou na quinta-feira que o Executivo pediu um parecer jurídico para saber se um Governo de gestão tem competências para aplicar a cobrança de portagens nas restantes autoestradas SCUT (sem custos para o utilizador). A comissão de utentes das autoestradas do interior promete não "esmorecer a luta" mesmo que o Governo decida não avançar já a 15 de abril, como estava previsto, por estar em gestão, disse à agência Lusa, João Freire, porta-voz da comissão. Lusa

quinta-feira, 31 de março de 2011

Quem Perde




Pedro Passos Coelho, actual líder do PSD, transborda ambição e exsuda pressa, basta vê-lo e ouvi-lo. A ambição refulge na pose de barítono em proscénio de aplausos, carreira que já confessou tê-lo fascinado «em jovem» e de que parece guardar o figurino para compor «figuras de Estado» – nomeadamente a que julga ir em breve bater-lhe à porta, como chanceler da confraria. A pressa goteja-se-lhe no brilho de algumas exposições aos holofotes, denunciando-lhe um suor ansioso, porém discreto. Afinal de contas, o homem já tem algum traquejo nestas andanças pela ribalta, nomeadamente ao liderar a JDS e nela exibir uma juventude pessoal com duração de décadas, coisa só vista no coelho da Duracel. E a ambição e a pressa põem-no a falar, o que acaba geralmente a estragar-lhe o retrato. Desta vez, como já se julga quase primeiro-ministro, o estrago também quase foi desastroso. Primeiro, lançou a bronca do IVA, que se propôs «aumentar de imediato» mal se instale em S. Bento, o que lançou a sua entourage em palpos de aranha para fingir que o homem não quis dizer o que disse. É que dizer que se defende as pensões de miséria dos reformados e, ao mesmo tempo, propor-se assaltá-las com novos aumentos do IVA não fazia lá muito sentido, nem mesmo nos alcatifados da Lapa. Depois, foi a Caixa Geral de Depósitos que o novel estadista já esquartejava por «pequenos aforradores», a par da privatização da TAP e da RTP, o que também levou a entourage a mais contorcionismos para lhe civilizar a sanha privatizadora – de resto, toda ela já pautada nas entrelinhas do PEC elaborado pelo PS, mas sem o inábil espavento com que Coelho as debitou. Portanto, Passos Coelho é capaz de começar a ganhar mais votos se começar a falar menos. Na outra face desta má moeda está José Sócrates, um veterano nestas andanças. Se, há seis anos, era um extasiado provinciano tremeleando perante a taluda da maioria absoluta que o escalracho do consulado santanista lhe atirara ao colo, hoje é um artista da ribalta, um veterano dos holofotes e um apurado especialista na arte do faz-de-conta. Assim sendo, conseguiu levar o seu Governo à demissão – e a ele próprio a demitir-se – lançando a ideia, em plena Assembleia da República, de que a culpa e as responsabilidades cabiam a Passos Coelho e ao PSD. Obviamente, ambos querem eleições, ambos julgam que os responsáveis pela queda do Governo serão os mais penalizados nas urnas e, por isso, também ambos tentam freneticamente imputar ao outro a responsabilidade desta «crise». Ambos, pois claro, jurando que apenas o «interesse nacional» os move, julgando assim, provavelmente, que ninguém vê o que salta à vista: que é apenas e só o interesse pessoal o que, na verdade, os move. Foi por isso que Passos Coelho quis precipitar eleições – por achar que a vitória estava à vista. Foi por isso que José Sócrates quis precipitar eleições – por achar que, no imediato, a derrota seria menos provável. Mas o que está também à vista é que, com um, com o outro, ou mesmo com ambos de cambulhada e arranjinho, quem perde sempre é o povo e o País. E seriamente.


Por Henrique Custódio

na rubrica: Talhe de Foice do Avante

segunda-feira, 28 de março de 2011

Indignai-vos

Com plena actualidade e para,melhor podermos meditar sobre os dias que correm, aconselho a leitura deste livro de Stéphane Hessel. Pequeno texto tirado do livro: « A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar». Quem escreve é Stéphane Hessel, 93 anos, herói da Resistência francesa, sobrevivente dos campos de concentração nazis e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos. É com a autoridade moral de um resistente inconformado e de um lutador visionário que Stéphane Hessel nos alerta, neste breve manifesto, para o facto de existirem hoje tantos e tão sérios motivos para a indignação como n o tempo em que o nacionalsocialismo ameaçava o mundo livre. Se procurarmos, certamente encontraremos razões para a indignação: o fosso crescente entre muito pobres e muito ricos, o estado do planeta , o desrespeito pelos imigrantes e pelos direitos humanos, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a injustiça social, entre tantos outros. Aceitemos o desafio de Stéphane Hessel, procurando neste livro e no mundo que nos rodeia os motivos para a insurreição pacífica, pois "cabe-nos a todos em conjunto zelar para que a nossa sociedade se numa sociedade da qual nos orgulhemos."

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher

desenho de: Carlos Latuff
roubado no Castendo
A Comissão Política do Comité Central do PCP saúda as mulheres portuguesas, neste 8 de Março, dirigindo-lhes uma mensagem de valorização do papel que desempenham em diversos domínios da sociedade portuguesa e de estímulo a que intensifiquem a sua acção contra o caminho de retrocesso social, reforçando a sua luta organizada em defesa dos seus direitos, pela justiça social e o progresso do País. Só pela luta se defendem os direitos e a sua participação em igualdade em todos os domínios - social, político, cultural e desportivo.

No momento em que se assinala uma data histórica ligada à luta das mulheres pelo reconhecimento e exercício de direitos, o PCP destaca o agravamento do desemprego e da precariedade laboral, associados aos baixos salários, às discriminações salariais e em função da maternidade, que atingem as trabalhadoras, assumindo expressões particularmente chocantes e inaceitáveis nas novas gerações. Alargam-se as situações de perda de rendimento e de pobreza que atingem diversos segmentos de mulheres, entre as quais se encontram mulheres deficientes, imigrantes, reformadas com baixas reformas e trabalhadoras com baixos salários. São crescentes as dificuldades com que se confrontam as mulheres no mundo rural e na agricultura familiar, bem como das que são responsáveis por micro e pequenas empresas.

Esta evolução negativa na situação das mulheres em Portugal e o incumprimento dos seus direitos não é um processo novo. Mas os impactos das medidas de austeridade e do Orçamento de Estado que marcam o ano de 2011, promovidas pelo actual Governo com o apoio do PSD e do CDS-PP, estão a repercutir-se em múltiplas dimensões da vida das mulheres, enquanto trabalhadoras, cidadãs e mães.

São disso exemplo a deliberada desvalorização dos salários, com o roubo de 15 euros no Salário Mínimo Nacional, os cortes salariais na Administração Pública, a par do congelamento de admissões e carreiras e com o bloqueio à contratação colectiva; os cortes na saúde, no ensino e na segurança social em que mais de 1 milhão e 300 mil crianças perderam ou viram reduzido o abono de família; a eliminação do subsídio social de maternidade, do subsídio social de desemprego e do rendimento social de inserção, entre outros.

A pretexto da «crise», estas medidas estão claramente em rota de colisão com o direito das mulheres à igualdade e com a necessária coesão económica e social do Pais e colocam como única perspectiva, no presente e para o futuro, um caminho, inaceitável de regressão social, incluindo os direitos das mulheres conquistados com a Revolução de Abril e plasmados na Constituição da República.

Entretanto, a actividade dos organismos governamentais para a área da igualdade pauta-se pela propaganda em torno de falsas políticas de igualdade, assentes em medidas claramente residuais, à margem dos reais problemas das mulheres e das razões que justificam a falta de eficácia nos mecanismos públicos de fiscalização e penalização das situações de incumprimento dos direitos.

Pelo direito ao trabalho com direitos
Valorização dos salários e eliminação das discriminações salariais

Neste 8 de Março de 2011 a luta pelo direito ao trabalho com direitos, contra a precariedade e pela valorização dos salários e a eliminação das discriminações salariais é condição necessária e indispensável para efectivar, na prática, a igualdade de direitos para as mulheres e, simultaneamente, representa um factor decisivo para o desenvolvimento do País e para a salvaguarda da sua soberania.

A efectivação destes direitos é de elementar justiça para os desempregados, designadamente para as mulheres que são a maioria dos 700 mil desempregados e dos mais de 1 milhão e 500 mil trabalhadores sujeitos à precariedade, (entre os quais se encontram as novas gerações) e a formas cada vez mais sofisticadas de exploração do seu trabalho e que atentam contra a sua dignidade e os seus direitos.

É necessário pôr fim à desvalorização do estatuto sócio-profissional e remuneratório das trabalhadoras, de diversas idades, profissões e qualificações e que intervêm nos diversos sectores de actividade: operárias do sector têxtil, vestuário, calçado, da cortiça, trabalhadoras das grandes superfícies (comércio), trabalhadoras da banca, trabalhadoras da Administração Pública, das áreas científicas e culturais, entre outras.

Como é necessário pôr fim aos atentados à dignidade e ao roubo de direitos laborais sociais que estão a atingir as novas gerações de trabalhadoras, incluindo as jovens licenciadas. São jornalistas, professoras, enfermeiras, advogadas, arquitectas, psicólogas, entre tantas outras, que são sujeitas a perguntas que atentam à sua privacidade e preteridas no acesso ao emprego face à perspectiva de puderem vir a ser mães; enquanto trabalhadoras vêem-se presas nas malhas das diversas formas de precariedade.

As mulheres são particularmente atingidas pelos baixos salários e pelas discriminações salariais que servem exclusivamente os grupos económicos e financeiros que assim reduzem os custos e aumentam os seus lucros.

Tomando como exemplo os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social eles mostram não só a persistência das diferenças salariais no ganho médio mensal entre mulheres e homens de 21,6% (Abril de 2010) com o seu agravamento relativamente ao ano anterior (21,2%). Entretanto a percentagem de mulheres abrangidas pelo salário mínimo nacional tem vindo a aumentar representando em Abril de 2010, 13,4%, para as mulheres e 6,4% para os homens.

A valorização dos salários e a eliminação das discriminações salariais é a resposta necessária para garantir que ao peso crescente das mulheres no mercado de trabalho se assegura a correspondente valorização das suas capacidades e dos seus saberes em defesa dos seus direitos e por uma mais justa distribuição do rendimento nacional em favor dos trabalhadores.

Pelo direito das trabalhadoras a serem mães, sem penalizações

A desregulamentação das relações laborais e a precariedade laboral estão a repercutir-se no incumprimento dos direitos de maternidade e paternidade que são devidos às trabalhadoras e trabalhadores assumindo diversas expressões e dimensões: condicionamento inaceitável da liberdade de decisão dos jovens trabalhadores quanto ao momento e ao número de filhos que desejam; a redução de salários das trabalhadoras em resultado das consultas pré-natais, da licença de maternidade, da redução de horários para aleitação/amamentação; as jovens que são preteridas no acesso ao emprego por potencialmente puderem decidir ser mães.

Acresce que a desregulação dos horários de trabalho (imposta pelo Código de Trabalho) favorece, claramente, a anulação do direito dos trabalhadores ao convívio em família e ao acompanhamento dos seus filhos. Tudo isto com uma chocante cumplicidade do actual Governo PS, com o apoio do PSD e CDS-PP que, ao arrepio da função social da maternidade e paternidade, permitem a sua violação por parte das entidades patronais que a encaram cada vez mais como algo que não lhes diz respeito e pela qual não têm deveres a cumprir.

O PCP promove no próximo dia 28 de Março uma Audição Parlamentar sobre os direitos de maternidade e paternidade, na qual pretende recolher diversos testemunhos de mulheres trabalhadoras e as opiniões das diversas organizações – sindicatos, associações de mulheres, entre outras – ao mesmo tempo que prosseguirá a sua iniciativa legislativa nesta área.

As acções do PCP no âmbito das comemorações do 8 de Março

Ao longo dos últimos 90 anos, a luta das mulheres pelo reconhecimento de direitos e pela sua participação em igualdade teve no PCP e nas mulheres comunistas o seu mais coerente e combativo aliado.

Perante o agravamento das desigualdades e discriminações que afectam as mulheres no tempo presente, o PCP é a força política que não vacila na identificação das causas e responsáveis e apresenta como verdadeira alternativa a luta pela ruptura com a política de direita, uma política patriótica que defenda os direitos das mulheres e ponha fim ao desastre nacional para o qual o País está a ser conduzido.

No âmbito das comemorações do 8 de Março deste ano as organizações do PCP promovem acções junto das mulheres portuguesas, entre os dias 8 e 19 de Março, com a distribuição de um Folheto que assinala esta data e o centenário das primeiras comemorações do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora (que mobilizou mais de um milhão de mulheres em diversos países).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Opinião

Peças do 'puzzle'


Mário Soares foi o vencedor das eleições. A astúcia e a imaginação do velho estadista permitiram que Fernando Nobre, metáfora de uma humanidade sem ressentimento, lhe servisse às maravilhas para ajustar contas. É a maior jogada política dos últimos tempos. Um pouco maquiavélica. Mas nasce da radical satisfação que Mário Soares tem de si mesmo, e de não gostar de levar desaforo para casa. Removeu Alegre para os fojos e fez com que Cavaco deixasse de ser tema sem se transformar em problema. O algarvio regressa a Belém empurrado pelos acasos da fortuna, pelos equívocos da época, pelo cansaço generalizado dos portugueses e pelos desentendimentos das esquerdas (tomando esta definição com todas as precauções recomendáveis). Vai, também, um pouco sacudido pelo que do seu carácter foi revelado. Cavaco não possui o estofo de um Presidente, nem um estilo que o dissimulasse. Foi o pior primeiro-ministro e o mais inepto Chefe do Estado da democracia. Baço, desajeitado, inculto sem cura, preconceituoso, assaltado por pequenas vinganças e latentes ódios, ele é o representante típico de um Portugal rançoso, supersticioso e ignorante, que tarda em deixar a indolência preguiçosa. Nada fez para ser o que tem sido. Já o escrevi, e repito: foi um incidente à espera de acontecer. Na galeria de presidentes com que, até agora, fomos presenteados, apenas encontro um seu equivalente: Américo Tomás. E, como este, perigoso. Pode praticar malfeitorias? Não duvido. Sobre ser portador daqueles adornos é uma criatura desprovida de convicções, de ideologia, de grandeza e de compaixão. Recupero o lamento de Herculano: "Isto dá vontade de morrer!"

por BAPTISTA-BASTOS

sábado, 15 de janeiro de 2011

DEMOCRACIA OU CACIQUISM0?

Na Serra da Estrela,O!? outrora Montes Herminios, mais concrectamente na Covilhã, estão a acontecer coisas muito estranhas que envergonham a DEMOCRACIA e nada dignificam as datas que recentemente o POVO Portugês comemorou, 25 de ABRIL E 1º de MAIO.
Através de um panfleto tive conhecimento que o sr. presidente da Câmara Municipal da Covilhã, de uma forma intolerante, prepotente e arrogante mandou destruir e danificar propaganda politica de um Partido político.
este comportamento e fazendo fé no panfleto que tenho em meu poder, revela e mostra algo que tem a ver com o tempo da "OUTRA SENHORA.
No mesmo panfleto apela-se para que ninguém fique indiferente e eu, que respeito a DEMOCRACIA e ADORO A LIBERDADE, não podia ficar indifrente a isto e desde já manifesto a minha repulsa.
É óbvio que o Partido em causa fez uma queixa crime e a denuncia pública dos factos, mas a justiça lenta como é só vai dicidir quando este senhor já estiver "aposentado" e vai ficar tudo em "águas de bacalhau".
Os valores democráticos do 25 de Abril, com gente desta, estão efectivamente ameaçados e em causa num Estado que se diz de Direito Democrático.

Herminio
Publicado,aqui,no dia 3 de Maio de 2005

Presidenciais - 2011



Não surpreende


É um facto que o comício da candidatura de Francisco Lopes, no Porto, foi a maior iniciativa de massas até agora realizada por qualquer das candidaturas, no âmbito da pré-campanha e da campanha das presidenciais.

Que esse facto, incontestável, não tenha sido assinalado em nenhum jornal diário, não surpreende, antes confirma a prática dos média dominantes em relação a tudo o que se relaciona com esta candidatura: foi assim na pré-campanha, assim será na campanha – e na noite das eleições e nos dias que se lhe seguirão…

E no entanto, se quisessem cumprir o seu papel de órgãos de informação, eles tinham muito que informar acerca desta candidatura e do que a distingue de todas as outras.

Por exemplo: que outro candidato, além de Francisco Lopes, pode dizer – dizendo a verdade – que a sua candidatura nasceu da luta das massas trabalhadoras contra a política de direita e que nela não há lugar para qualquer comprometimento com a política de direita?; que outro candidato, além de Francisco Lopes, pode dizer – dizendo a verdade – que a sua candidatura é patriótica e de esquerda e tem nos valores e nos ideais de Abril uma referência fundamental?; que outro candidato, além de Francisco Lopes, pode dizer – dizendo a verdade – que a sua candidatura tomou «a posição necessária e corajosa» de dizer «não» ao OE de flagelação dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País?; que outro candidato, além de Francisco Lopes, pode dizer – dizendo a verdade – que assume um compromisso claro quanto ao futuro: ruptura e mudança de política e afirmação de uma alternativa e de um novo rumo para Portugal?

Trata-se, como se vê, de diferenças que espelham as singularidades desta candidatura, os seus traços distintivos em relação a qualquer das outras – enfim, diferenças que, em princípio, seriam notícia...

Mas não. O que não surpreende, sendo os jornais de quem são...

E já agora acrescento uma outra característica única nesta candidatura: no dia 24 de Janeiro e seguintes, seja qual for o resultado eleitoral que tiver obtido, ela vai continuar na luta ao lado dos trabalhadores.

Porque a luta continua – o que também não surpreende
José Casanova
Avante 13/01/2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

ELEIÇÕES 23 DE JANEIRO

As presidenciais da crise

por Sandra Monteiro
Le Monde diplomatique


As eleições presidenciais de 23 de Janeiro vão permitir a cada cidadão eleitor fazer uma escolha. Não será uma escolha que possa inverter, por si mesma, a orientação das políticas austeritárias que, neste início de 2011, são já causadoras de mais regressão social e de mais recessão económica. Essas competências cabem ao governo e não ao presidente da República. Mas os eleitores podem optar por dar um sinal político forte de que não estão do lado da crise − nem da sua génese, nem das respostas que impedem que se lhe veja o fim. Se o quiserem fazer, serão úteis todos os votos que não recaiam no candidato Aníbal Cavaco Silva.

A ele se deve, no período entre 1985 e 1995, quando foi primeiro-ministro, inclusive com duas maiorias absolutas, a arquitectura político-financeira da viragem neoliberal que ocorreu em Portugal e que, não tendo sido posteriormente invertida nos seus aspectos essenciais − apesar das medidas de cariz social que chegaram a corrigir as mais gritantes injustiças −, nos trouxe em linha recta até à dramática situação que hoje atravessamos. Dessa viragem fizeram parte: a destruição de capacidades produtivas na agricultura ou nas pescas, já no quadro das imposições das instâncias europeias; o processo de financeirização da economia, visível no estímulo ao crédito à habitação; ou o ataque aos serviços públicos, e desde logo à saúde e à educação, que corroeu as condições do financiamento destes serviços, pôs em causa o seu carácter universal e gratuito e abriu caminho à sua exploração por lógicas e interesses privados − à força de bastonadas, quando o executivo temeu a contestação nas fábricas ou nas ruas, como aconteceu na década de 1990 com os movimentos estudantis contra o aumento de propinas.

A Cavaco Silva se deve, mais recentemente, a complacência com processos que levantam legítimas dúvidas à justiça (caso do Banco Português de Negócios, BCP) ou ao normal funcionamento do poder político (caso da invenção das escutas do governo a Belém). Mas a ele se deve também uma assumida, e aliás legítima, utilização das competências que lhe são conferidas pelo cargo de presidente da República para favorecer a resposta que o governo deu à crise causada pela especulação com a dívida soberana, resposta essa plasmada nos programas de austeridade e crescimento (PEC) e no orçamento de Estado. O resultado foram políticas austeritárias que recaíram sobre os trabalhadores, os desempregados e os pensionistas, deixando incólumes os detentores dos mais elevados rendimentos e os imorais lucros do capital financeiro.

Cavaco Silva é, assim, um protagonista activo, e talvez durante mais tempo do que qualquer outro político da actualidade, do processo do neoliberalismo à portuguesa, não um processo em que do constante ataque ao Estado resultem simples e generalizadas privatizações, mas antes uma permanente disputa pela reconfiguração do Estado de modo a que este seja, com os seus recursos, cada vez mais colocado ao serviço da acumulação do capital financeiro, da corrosão do Estado social e dos princípios de universalidade, de redistribuição e de igualdade que estão na base da construção de sociedades de bem-estar. Um processo que está na origem da fragilização programada de economias como a portuguesa, tornando-as dependentes do sistema financeiro (onde se concentram os lucros) e garantindo que esse sistema nunca seja prejudicado porque, em momentos de crise, será invocada a dependência dos bancos para não os deixar falir (usando o dinheiro dos contribuintes). Cavaco Silva é o rosto de todas as fases deste processo nas últimas décadas, desde a aplicação das políticas económico-financeiras até à sua consolidação, tendente a transformar cidadãos em clientes, mas dos que nunca têm razão e raramente podem deixar de ter medo.

Como compreender então as sondagens que apontam para a reeleição do actual presidente da Republica, sobretudo quando é notório que as preocupações da grande maioria dos portugueses estão actualmente concentradas nas dificuldades que a austeridade impõe ao seu quotidiano? É certo que a actuação do governo face à crise, embarcando no «clube europeu da austeridade» e repetindo que não havia alternativa senão ceder às «pressões dos mercados», preparou o terreno da impotência e da desesperança. Deu espaço de manobra ao candidato Cavaco Silva para vir agora desvalorizar, numa arrogância insultuosa, quaisquer alternativas políticas como falta de «bom senso», «propagação de ilusões», «larachas» e «tretas». Ou para classificar qualquer discordância política, perfeitamente legítima, como «um insulto aos mercados».

No entanto, são mais complexos os mecanismos que estão por detrás da facilidade com que Cavaco Silva se refugia no reino a-histórico da realidade como um dado imutável (e não como uma construção) e no reino a-político das escolhas meramente técnicas (e não resultantes de visões do mundo, relações de forças e interesses em conflito). Esta fuga do candidato, profundamente estratégica e política, está ao serviço da construção paternalista de uma imagem de alguém que estaria acima da política. Alguém em quem os «cidadãos» se limitariam a depositar a sua confiança, na certeza de que ele saberia identificar os consensos que a todos interessariam. Aquilo a que o candidato Cavaco Silva chama «aventura», quando se refere às escolhas que os portugueses podem sentir-se no direito de fazer, é no fim de contas um atestado de menoridade aos cidadãos e, em consequência, à própria democracia.

Neste sentido, Cavaco Silva é apenas, à nossa escala, o expoente do político que encarna algumas das características fundamentais de uma «fabricação do consenso» que a generalidade dos meios de comunicação social pratica no seu dia-a-dia. É a representação unipessoal de um espaço público e mediático que há muito vem sendo construído, sobretudo nesse meio mais influente que é a televisão, de modo a excluir o pluralismo do debate político (não apenas ao nível das propostas, mas das ideias). Um espaço artificialmente reduzido e pacificado («suavizado»…) no qual vigora a exploração do imediatismo, das emoções, e o desprezo pela espessura do contexto. Há muitos anos que neste espaço são feitas escolhas. Prefere-se, por exemplo, tratar temas como a pobreza pelo prisma da caridade, desfocando a imagem da «pobreza envergonhada», em vez de se dirigir os focos para as políticas (e seus responsáveis) que destroem serviços públicos, direitos laborais e sociais. Prefere-se, em simetria, deixar de fora da investigação jornalística os mais poderosos da sociedade, que muitas vezes são também, aliás, os accionistas dos grupos que detêm a propriedade dos mesmos órgãos de comunicação social.

Na sociedade da «fabricação do consenso» finge-se a neutralidade política e escondem-se os interesses, legítimos ou não, que se escondem por detrás das atitudes dos mais fortes (as dos mais fracos, pelo contrário, são sempre alvo de suspeição ou denúncia). Se assim não for feito, corre-se o risco de os cidadãos se entusiasmarem com a aventura da democracia: que se ponham a pensar e se informem; que não aceitem formar opinião sem ouvir pontos de vista realmente contraditórios; que sintam o prazer do debate e a responsabilidade de serem parte de uma decisão; que não se sintam impotentes por tudo ser decidido longe deles e independentemente da sua vontade. Neste tempo de deriva suicidária da União Europeia, em que certa política se diz refém dos mesmos mercados cujo poder ela construiu, as próximas eleições presidenciais podem dar um sinal de que muitos cidadãos não estão do lado da crise: nem da crise que lhes impõe a austeridade e as desigualdades, nem da que os menoriza como sujeitos políticos no quadro da democracia. Derrotar Cavaco Silva será derrotar o rosto desta dupla crise, económica e política. Mas, aconteça isso ou não, a desconstrução dos mecanismos de «fabricação do consenso» é uma prioridade tão urgente antes como depois destas presidenciais da crise.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Por Terras do Ribatejo





Fotos recolhidas no Lugar do Carvalheiro, freguesia de Louriceira, concelho de Alcanena

Foto recolhida no Lugar do Cortiçal, freguesia de Abrã, concelho de Santarém


“O Hermínio”, nesta quadra Natalícia e Ano Novo, deixou a Beira Interior e rumou para a zona ribatejana de Santarém e Alcanena, onde está ligado sentimentalmente e por laços familiares.
Como é perfeitamente normal nestes dias festivos fazem-se visitas à família e aproveita-se para conhecer um pouco mais do nosso país, que é tão bonito!
Este ano levámos na bagagem um roteiro destinado à Serra d`Aire e Candeeiros e aos “Olhos de Água”, local onde nasce o martirizado (com a poluição) Rio Alviela. Aqui, ficámos negativamente surpreendidos, com o estado de degradação em que se encontra o equipamento da Praia Fluvial e o perigo para os utilizadores daquele espaço, que é eminente derivado a esta situação - numa outra visita, que fiz a este local há 5 anos saí daquele espaço maravilhado - desta vez vim triste e desolado.
Nesta parte do interior ribatejano os vestígios da interioridade são mais visíveis em alguns locais e para ilustrar o que estamos a afirmar estão as fotos, acima colocadas, da sinalética vertical existente em algumas estradas e a degradação do piso das vias que ligam as freguesias e lugares.
Estivemos no Lugar do Cortiçal, freguesia de Abrã, concelho de Santarém, que liga os concelhos de Santarém e Alcanena e aqui, no rumo que levava-mos para a Serra d`Aire, encontrámos no Lugar de Carvalheiro, freguesia de Louriceira concelho de Alcanena, uma sinalização que é uma “pérola”, conforme documenta uma das fotos, e que seria suposto indicar-nos a localidade de Porto de Mós e outros destinos.