quinta-feira, 19 de julho de 2012

Os Relvas

Sobre Miguel Relvas, os comentistas de serviço não hesitam: está politicamente liquidado.
Todavia, não vale a pena refocilar nas tranquibérnias que resvalaram Relvas para o abismo, seja a embrulhada das «secretas», as pressões à jornalista do Público ou a escandaleira da sua pseudo-licenciatura na Lusófona. Para esse repoltreamento aí estão os seus antigos propagandistas que, como de uso, são agora os mais furiosos juízes. Já lá vai o tempo em que este ministro adjunto e dos Assuntos Parlamantares era assinalado, em irreprimíveis encómios, como «o arquitecto» da vitória passista e «o cérebro» da sua governação...
O que interessa é que Relvas se tornou paradigma do sarcasmo nacional no que se refere à apreciação popular dos «políticos profissionais».
«São todos uns vigaristas», diz a vox populi, sem mais delongas.
A vigarice «faz parte da genética nacional», defendem os entendidos na matéria, que geralmente acarreiam ilustrações da actividade político-privada da actualidade para as diluir nesta «pecha ancestral» da vigarice, cuja «fatalidade» parece, se não inocentar toda a gente, pelo menos desagravar a generalidade.
É assim que os Isaltinos Morais e as Fátimas Felgueiras, os Jorges Coelho e os Ferreiras do Amaral, os Dias Loureiro e os Miras Amaral, os Carlos Melancia e os Avelino Torres, os José Sócrates e os Miguel Relvas deste País fatal (para só falarmos de proeminentes, que a lista seria interminável) circulam por aí, impolutos e inimputáveis, de rosto erguido e honra acabadinha de sair do banho, mas, sobretudo, muito, mas muito melhor na vida do que no início das fortunosas funções públicas.
Os que foram levados a tribunal viram sempre «fazer-se justiça» a seu favor, os que transitaram desavergonhadamente de cargo oficial para a direcção de grandes empresas privadas por si próprios tuteladas enquanto governantes - ou tachos afins -, afirmam, com alvar displicência, que «estão de consciência tranquila» e os que até cursos traficaram, juram a pés juntos que «sempre cumpriram a lei».
Obviamente, são todos cidadãos acima de suspeita.
Mas o «caso Relvas» serve de epítome à chamada «classe política» que desgoverna o País há 36 anos, toda ela recrutada no PS, no PSD e, quando convém, no CDS.
Ao longo desse desgoverno, os «Relvas» proliferaram como ervas daninhas, enquanto os partidos do famoso «arco do poder» iam capturando o aparelho de Estado através da apropriação do «jogo democrático» burguês.
Foi assim que PS e PSD, alternando fraternalmente no Governo, foram desmontando as alavancas do poder instituído pela Revolução de Abril, para as e o devolver ao grande capital. Basicamente, como no fascismo.
Não é, de facto, por acaso que a vox populi chama vigaristas a esta gente.
Gente que não é «vigarista» por fatalidade nacional, pois a vigarice não é «fatalidade» de nenhum povo: é fruto directo das desigualdades sociais impostas pela exploração capitalista.
Esta gente pertence, simplesmente, à linhagem dos «Relvas».


Henrique Custódio
Avante nº 2.016

terça-feira, 17 de julho de 2012

25 de Abril







No Tortosendo, houve comemorações do 25 de Abril.
Choveu, choveu muito, mas os tortosendenses sairam à rua para comemorar o dia que derrubou o fascismo.
Organizadas pela Comissão de Freguesia de Tortosendo do PCP realizaram-se, na Escola Básica do Tortosendo, com bastante adesão popular, as comemorações do 38º aniversário da Revolução que derrubou o regime fascista de Salazar e Caetano.
As fotos ilustram alguns momentos das comemorações.

“Congresso Democrático das Alternativas”



"Resgatar Portugal para um futuro decente"

“Envolver a Sociedade Civil”

5 de outubro de 2012

São, na generalidade, pessoas bem instaladas na vida, com elevados graus académicos e investigadores de méritos reconhecidos. Alguns são denodados estudiosos dos movimentos da classe trabalhadora com o interesse e a curiosidade do biólogo debruçado sobre os instrumentos de trabalho e que, análise feita, publicita em revistas da especialidade os resultados do seu labor. Podem aparecer como observadores nas manifestações de protesto, tomando notas sobre o comportamento da plebe insatisfeita, sem nunca levantar a voz e muito menos o punho. De discurso fluente, olham com displicência os que com dificuldade expõem os seus anseios e propósitos. Já ouviram falar da fome e concluíram, após aprofundada investigação não experimental, que deve ser difícil de suportar e supõem que viver com o salário mínimo não será fácil. Como sempre acontece, há as exceções que dão ainda mais visibilidade à regra.



De trajetória partidária instável, vão procurando com mais ou menos visibilidade o seu nicho de classe. E, falsos modestos, procuram dissimular a atração pelas luzes da ribalta que lhes iluminam o protagonismo e nutrem o ego. Se os mídia, nomeadamente a televisão, por distração os ignora, o que raramente acontece, sentem-se descriminados e insurgem-se com vigor.



O desemprego alastra e a miséria e outras ameaças daí decorrentes começam a galgar as ameias dos seus castelos de conforto que supunham invioláveis. Por mais bizarro que nos possa parecer, muitos dos signatários de um tal “programa”, recentemente divulgado, têm participado no crime social contra o qual, supostamente, e só agora se insurgem, e outros há que assistiram a todas as maquinações a que temos estado sujeitos sem expressarem a mínima perturbação.



Os protagonistas promotores destas manifestações cíclicas encontram-se emparedados entre os grandes senhores que, desde sempre, vêm servindo, mas que já não lhes oferecem total confiança, e aqueles que denominam por desprotegidos e que cada vez mais engrossam a revolta, que se revoltem, pois, é natural que assim seja e até lhes pode servir, mas que nunca o façam de modo organizado seria relegá-los para um humilhante plano secundário, e, lá do alto dos seus profundos conhecimentos, na maioria são professores universitários, têm dificuldade em admitir que os trabalhadores se consigam emancipar sem que por eles sejam conduzidos.



Nos meses de verão desarticulam-se as movimentações de protesto mas continua a levedar a indignação, e aproveitando este afrouxar, o patronato e os governadores do protectorado em que vivemos, dão mais umas voltas no garrote dos que já mal podem respirar. Setembro é o mês das famílias fazerem o balanço dos “deve e haver” e, cercadas no lamaçal para onde as arrastaram, procuram libertar-se.



É certo que, na sua quase totalidade, os signatários do programa, uma espécie de apanha-moscas nas antigas mercearias de bairro, não sabem o que seja uma greve e nem calculam o esforço necessário para a organizar ou os riscos que correm aqueles que nela participam. No entanto, estas vibrações são sentidas nos meios intelectuais atentos ao pulsar social, e no ambíguo e amplo leque ideológico e sensibilidades díspares, soa o toque a reunir e, despertos, cada qual à sua maneira, respondem à chamada. Mas ao surgir o toque de avançar ninguém sabe para onde nem como acionar os seus ímpetos e, mais uma vez, regressam a penates sem nem sequer se sentirem frustrados, porque habituados estão às suas inconsequências. Quantas siglas já se evaporaram neste curto espaço histórico?



O “projecto para envolver a sociedade civil”, repleto de doutoslugares-comuns, é um “programa” raso, que nos mostra a intensidade das preocupações expostas e as expetativas vazias de conteúdo. "Resgatar Portugal para um futuro decente"… mais que um programa é um suspiro.



Desde que me conheço nestas lides, que observo as andanças de gente cansada de se preocupar com os males que desde sempre nos afligiram. Apresentam os seus manifestos radicais ou insípidos em função da conjuntura, e partem de férias, porque isto de lutar contra o fascismo ou o neo-fascismo é entretenimento que dá gozo discutir numa sombra acolhedora com um branco seco geladinho e uns percebes e regressar ao “combate” ainda bronzeados e com um cheirinho a maresia.



Isto de fazer parte e ter uma sólida base de apoio numa classe habituada a enfrentar dificuldades e a ser estigmatizada não é tarefa fácil.



Quando destruíram a reforma agrária e de seguida todo o nosso tecido industrial, os operários industriais e agrícolas e as suas organizações lutaram sós até ao último fôlego.



Hoje são os professores, bancários, médicos, advogados que veem os seus postos de trabalho em risco ou não encontram futuro para os seus filhos.

O já badalado “Congresso” está anunciado para outubro, mês de grandes explosões sociais, momento ideal para se discutir como "Resgatar Portugal para um futuro decente" e, mais uma vez, ficar por aí.

Curiosamente, poucos dias antes do anunciado “Congresso”, o Arnaldo Matos voltou à ribalta.



É curioso!...



Publicada porcid simoes

Em: AS PALAVRAS SÃO ARMAS

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Islândia - versus censura


PORQUÊ O SILÊNCIO SOBRE A ISLÂNDIA?
Se há quem acredite que nos dias de hoje não existe censura, então que nos esclareça porque é ficámos a saber tanta coisa acerca do que se passa no Egipto e porque é que os jornais não têm dito absolutamente nada sobre o que se passa na Islândia.
Na Islândia:
- o povo obrigou à demissão em bloco do governo;
- os principais bancos foram nacionalizados e foi decidido não pagar as dívidas que eles tinham contraído junto dos bancos do Reino Unido e da Holanda, dívidas que tinham sido geradas pelas suas más políticas financeiras;
- foi constituída uma assembleia popular para reescrever a Constituição.
Tudo isto pacificamente.
Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu a esta crise. E aí está a razão pela qual nada tem sido noticiado no decurso dos últimos dois anos. O que é que poderia acontecer se os cidadãos europeus lhe viessem a seguir o exemplo?
Sinteticamente, eis a sucessão histórica dos factos:
- 2008: o principal banco do país é nacionalizado. A moeda afunda-se, a Bolsa suspende a actividade. O país está em bancarrota.
- 2009: os protestos populares contra o Parlamento levam à convocação de eleições antecipadas, das quais resulta a demissão do primeiro-ministro e de todo o governo.
A desastrosa situação económica do país mantém-se.
É proposto ao Reino Unido e à Holanda, através de um processo legislativo, o reembolso da dívida por meio do pagamento de 3.500 milhões de euros, montante suportado mensalmente por todas as famílias islandesas durante os próximos 15 anos, a uma taxa de juro de 5%.
- 2010: o povo sai novamente à rua, exigindo que essa lei seja submetida a referendo.
Em Janeiro de 2010, o Presidente recusa ratificar a lei e anuncia uma consulta popular.
O referendo tem lugar em Março. O NÃO ao pagamento da dívida alcança 93% dos votos.
Entretanto, o governo dera início a uma investigação no sentido de enquadrar juridicamente as responsabilidades pela crise.
Tem início a detenção de numerosos banqueiros e quadros superiores.
A Interpol abre uma investigação e todos os banqueiros implicados abandonam o país.
Neste contexto de crise, é eleita uma nova assembleia encarregada de redigir a nova Constituição, que acolha a lições retiradas da crise e que substitua a actual, que é uma cópia da constituição dinamarquesa.
Com esse objectivo, o povo soberano é directamente chamado a pronunciar-se.
São eleitos 25 cidadãos sem filiação política, de entre os 522 que apresentaram candidatura. Para esse processo é necessário ser maior de idade e ser apoiado por 30 pessoas.
- A assembleia constituinte inicia os seus trabalhos em Fevereiro de 2011 a fim de apresentar, a partir das opiniões recolhidas nas assembleias que tiveram lugar em todo o país, um projecto de Magna Carta.
Esse projecto deverá passar pela aprovação do parlamento actual bem como do que vier a ser constituído após as próximas eleições legislativas.
Eis, portanto, em resumo a história da revolução islandesa:
- Demissão em bloco de um governo inteiro;
- Nacionalização da banca;
- Referendo, de modo a que o povo se pronuncie sobre as decisões económicas fundamentais;
- Prisão dos responsáveis pela crise e
- reescrita da Constituição pelos cidadãos:
Ouvimos falar disto nos grandes media europeus?
Ouvimos falar disto nos debates políticos radiofónicos?
Vimos alguma imagem destes factos na televisão?
Evidentemente que não!
O povo islandês deu uma lição à Europa inteira, enfrentando o sistema e dando um exemplo de democracia a todo o mundo.

Theo Buss
Rue du Doubs 117
2300 La Chaux-de-Fonds
Tél. 0041 (0)32 558 7903


ODiario.info :: http://www.odiario.info


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Dos jornais

Crónica de um dia de produtividade nacional
Crónica de um dia de produtividade nacional
Crónica de um dia de produtividade nacional
Ainda não conseguiu desabituar-se e levanta-se às sete da manhã. Acorda a
mulher e a filha. Por graça, nos primeiros dias, levava-lhes café com leite à
cama. Agora grita para dentro dos quartos um "está na hora!" e segue para a
cozinha, para ferver os dois líquidos que elas, atrasadas crónicas, muitas vezes
nem bebem.
Liga o computador. Dá uma volta pelos sites de anúncios. Nada. Vê os e-mails.
Nada. Liga a televisão. Vê muitas notícias agora, muitas mais do que costumava,
viciado nesta novela de vida real: há bons e maus da fita, há famílias ricas e
famílias pobres, protagonistas que conspiram, personagens secundárias rebeldes,
enredos tortuosos, luta pelo poder, crime, corrupção, traição e um final que
nunca mais chega.
Vai para a casa de banho. "Enquanto fizer a barba todos os dias estou bem!"
Repete este pensamento, frente ao espelho, a deslizar automaticamente a lâmina
pela cara coberta de espuma, enquanto aguça o olhar para confirmar as olheiras
que lhe marcam a idade.
Decide correr. Sai em fato de treino. Tem um pouco de vergo-nha da barriga,
cinquentona, mas avança ao lado do tráfego automóvel que, repara, todos os dias
diminui.
Volta suado e mete-se no duche. Vai para a sala. Liga outra vez o PC. Passa
horas no computador, entretido a fazer coisa alguma pelo Facebook, pelos sites
de jornais, a trocar e-mails com anedotas, a jogar Solitaire ou a procurar novas
receitas, agora que passou a cozinheiro oficial da família.
Amanhã tem de ir ao centro de emprego. Faz uma sandes, tira uma cerveja do
frigorífico e volta para o computador, para preparar essa sessão de humilhação
frente ao Estado. Ainda tem direito a uns meses de subsídio, mas precisa de
demonstrar que procura trabalho. No meio de quase uma centena de candidaturas
que apresentou, do quase milhar de currículos que enviou, conseguiu apenas uma
entrevista onde ouviu um "temos muita pena, mas o senhor tem qualificações a
mais para esta função". Pensa, às vezes, abrir um negócio. "Talvez exportar
pastéis de nata", brinca consigo próprio embora, mais a sério, recorde uma ideia
sobre artigos em ferro forjado que acha genial mas não sabe como pôr de pé.
Vai ao café por debaixo da casa. Lê o jornal que lá está e bebe a bica, a
única despesa que faz. Em casa, de novo, olha para a TV e pensa no tédio, o pior
de tudo...
Faz o jantar. Às 20.00, a mulher e a filha já voltaram e ele brinca com elas,
aproveita a noite, a melhor parte do dia. Ouve, no Telejornal - são mais de um
milhão e 200 mil desempregados em Portugal... "Tantos? Coitados!", pensa,
esquecendo-se, distraído, de si próprio.
in: DN
Por: Pedro Tadeu

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Pobre Cavaco




A pátria, estarrecida, assistiu, nos últimos dias, à declaração de pobrezado Dr. Cavaco, e aos ecos dessa amarga e pungente confissão. O gáudio e o apoucamento, a crítica e a repulsa foram as tónicas dominantes das emoções.Os blogues, aos milhares, encheram-se de inauditos gozos, e a Imprensa,grave e incomodada, não deixou de zurzir no pobre homem. Programas de entretenimento matinal, nas tevês, transformaram o coitado num lázaro irremissível. Até houve um peditório, para atenuar as suas preocupações de subsistência, com donativos entregues no Palácio de Belém. Porém, se nos detivermos, por pouco que seja, no Dr. Cavaco e na sua circunstância notaremos que ele sempre assim foi: um portuguesinho no Portugalinho. Lembremo-nos desse cartaz hilariante, aposto em tudo o que era muro ou parede, e no qual ele aparecia, junto de um grupo de enérgicos colaboradores, sob o extraordinário estribilho: "Deixem-nos trabalhar!"Cavaco governava pela primeira vez e os publicitários colocaram-no e aos outros em mangas de camisa arregaçadas. Os humoristas de serviço rilharam os dentes, de gozo, mas a época não era propícia à ironia. O País tornou-se numa espécie de imagem devolvida do primeiro-ministro: hirto, um espequerígido, liso, um carreirinho de gente cabisbaixa.O respeitinho é muito lindo: essa marca d'água do salazarismo regressava para um país que perdera a noção do riso, se é que alguma vez o tivera.Cavaco resulta desse anacronismo que fede a mofo e a servidão. É um sujeito de meia-tigela, inculto, ignorante das coisas mais rudimentares, iletrado e, como todos os iletrados, arrojado nas afirmações momentâneas. As suas"gaffes" fazem história no anedotário nacional. É um Américo Tomás tão despropositado, mas tão perigoso como o original. Manhoso, soube aproveitar o momento vazio, no rescaldo de uma revolução que também acabou no vazio. Os rios de dinheiro provindos de Bruxelas, e perdulariamente gastos, durante os infaustos anos dos seus mandatos, garantiram-lhe um lugar de aplauso nas consciências desprotegidas dos portugueses. Este apagamento da verdade está inscrito, infelizmente, numa Imprensa servida por estipendiados, cuja virtude era terem o cartão do partido. Ainda hoje essa endemia não foi extirpada. Repare-se que, fora alguns escassos casos isolados, ainda não foi feita a crítica aos anos de Cavaco e das suas trágicas consequências políticas, ideológicas, morais e sociais. Há uma falta de coragem quase generalizada, creio que explicada pela teia reticular de cumplicidades, envolvendo poderes claros e ocultos. A mediocridade da personagem é cada vez mais evidente. E se, no desempenhodas funções de primeiro-ministro, foi sustentado pela falsa aparência de eldourado, devido aos dinheiros da Europa, generosamente distribuídos poramigos e prosélitos, como Presidente da República é uma calamidadeafrontosa. Tornou o lugar desacreditante e desacreditado.Logo no primeiro dia da sua entrada no palácio de Belém, o ridículo até tevemúsica. Um país espavorido assistiu, pelas televisões, sempre zelosas eapressuradas, àquela cena do Dr. Cavaco, mãos dadas com toda a família, asubir a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, e ao interior do edifício. Umpalácio que não merecia recolher tal inquilino. Mas ele é mesmo assim: umportuguesinho no Portugalinho, um inesperadamente afortunado algarvio, semhistória nem grandeza, impelido para o seu peculiar paraíso. A imagem dasubida da ladeira possui algo de ascensão ao Olimpo, com aquelas figurasmuito felizes, impantes, formais, intermináveis. Mas há nisto um panteísmomarcadamente ingénuo e tolo, muito colado a certa maneira de serportuguesinho e pobrezinho: tudo em inho, pequenininho, redondinho.Cavaco nunca deixou de ser o que era. Até no sotaque que não perdeu e o levaa falar num idioma desajeitado; no inábil que é; no piroso corte de cabelo àCary Grant; no embaraço que sente quando colocado junto de multidões ou depessoas que ele entende serem-lhe "superiores." Repito: ele não dispõe de umestofo de estadista, e muito menos da condição exigida a um Presidente daRepública.O discurso da sua pobreza resulta de todas essas anomalias de espírito. Eletem sido um malefício para o País. É ressentido, rancoroso, vingativo,possidónio e brunido de mente. Mas não posso deixar de sentir, por estepobre homem, uma profunda compaixão e uma excruciante piedade.A pátria, estarrecida, assistiu, nos últimos dias, à declaração de pobrezado
Dr. Cavaco, e aos ecos dessa amarga e pungente confissão. O gáudio e oapoucamento, a crítica e a repulsa foram as tónicas dominantes das emoções.Os blogues, aos milhares, encheram-se de inauditos gozos, e a Imprensa,grave e incomodada, não deixou de zurzir no pobre homem.
Programas de entretenimento matinal, nas tevês, transformaram o coitado num lázaroirremissível. Até houve um peditório, para atenuar as suas preocupações desubsistência, com donativos entregues no Palácio de Belém. Porém, se nosdetivermos, por pouco que seja, no Dr. Cavaco e na sua circunstâncianotaremos que ele sempre assim foi: um portuguesinho no Portugalinho.Lembremo-nos desse cartaz hilariante, aposto em tudo o que era muro ouparede, e no qual ele aparecia, junto de um grupo de enérgicoscolaboradores, sob o extraordinário estribilho: "Deixem-nos trabalhar!"Cavaco governava pela primeira vez e os publicitários colocaram-no e aosoutros em mangas de camisa arregaçadas. Os humoristas de serviço rilharam osdentes, de gozo, mas a época não era propícia à ironia. O País tornou-senuma espécie de imagem devolvida do primeiro-ministro: hirto, um espequerígido, liso, um carreirinho de gente cabisbaixa.O respeitinho é muito lindo: essa marca d'água do salazarismo regressavapara um país que perdera a noção do riso, se é que alguma vez o tivera.Cavaco resulta desse anacronismo que fede a mofo e a servidão. É um sujeitode meia-tigela, inculto, ignorante das coisas mais rudimentares, iletrado e,como todos os iletrados, arrojado nas afirmações momentâneas. As suas"gaffes" fazem história no anedotário nacional. É um Américo Tomás tãodespropositado, mas tão perigoso como o original.Manhoso, soube aproveitar o momento vazio, no rescaldo de uma revolução quetambém acabou no vazio. Os rios de dinheiro provindos de Bruxelas, eperdulariamente gastos, durante os infaustos anos dos seus mandatos,garantiram-lhe um lugar de aplauso nas consciências desprotegidas dosportugueses. Este apagamento da verdade está inscrito, infelizmente, numaImprensa servida por estipendiados, cuja virtude era terem o cartão dopartido. Ainda hoje essa endemia não foi extirpada. Repare-se que, foraalguns escassos casos isolados, ainda não foi feita a crítica aos anos deCavaco e das suas trágicas consequências políticas, ideológicas, morais esociais. Há uma falta de coragem quase generalizada, creio que explicadapela teia reticular de cumplicidades, envolvendo poderes claros e ocultos.A mediocridade da personagem é cada vez mais evidente. E se, no desempenho das funções de primeiro-ministro, foi sustentado pela falsa aparência de eldourado, devido aos dinheiros da Europa, generosamente distribuídos por amigos e prosélitos, como Presidente da República é uma calamidade afrontosa. Tornou o lugar desacreditante e desacreditado. Logo no primeiro dia da sua entrada no palácio de Belém, o ridículo até teve música. Um país espavorido assistiu, pelas televisões, sempre zelosas e apressuradas, àquela cena do Dr. Cavaco, mãos dadas com toda a família, a subir a rampa que conduz ao Pátio dos Bichos, e ao interior do edifício. Um palácio que não merecia recolher tal inquilino. Mas ele é mesmo assim: um portuguesinho no Portugalinho, um inesperadamente afortunado algarvio, sem história nem grandeza, impelido para o seu peculiar paraíso. A imagem da subida da ladeira possui algo de ascensão ao Olimpo, com aquelas figuras muito felizes, impantes, formais, intermináveis. Mas há nisto um panteísmo marcadamente ingénuo e tolo, muito colado a certa maneira de ser portuguesinho e pobrezinho: tudo em inho, pequenininho, redondinho. Cavaco nunca deixou de ser o que era. Até no sotaque que não perdeu e o leva a falar num idioma desajeitado; no inábil que é; no piroso corte de cabelo à Cary Grant; no embaraço que sente quando colocado junto de multidões ou de pessoas que ele entende serem-lhe "superiores." Repito: ele não dispõe de um estofo de estadista, e muito menos da condição exigida a um Presidente da República. O discurso da sua pobreza resulta de todas essas anomalias de espírito. Ele tem sido um malefício para o País. É ressentido, rancoroso, vingativo, possidónio e brunido de mente. Mas não posso deixar de sentir, por este pobre homem, uma profunda compaixão e uma excruciante piedade.
Por:Baptista Bastos - b.bastos@netcabo.pt
27 Janeiro 2012

sábado, 5 de novembro de 2011

Mensagem

Fomos buscar este texto ao blog "Reformados Tortosendo".

CARTA DOS AVÓS AOS NETOS

Queridos netos.
O motivo desta carta, escrita pelos avós que somos e dirigida aos netos, tem a ver com o nosso passado, o nosso presente e o vosso futuro. Pertencemos à geração que, obrigada, fez a guerra colonial, que lutou e alcançou a Paz.
A geração perseguida, reprimida e presa pela polícia política de Salazar e Caetano. Somos a geração que fez a revolução do 25 de Abril.

A nossa experiência de vida e de luta, ontem jovens e hoje avós, diz-nos que o momento que o País vive é muito grave para as famílias portuguesas e, em especial para o vosso futuro. Sentimos Por isso, temos a responsabilidade de lançar um alerta aos nossos filhos e netos para o caminho
de destruição do país: dos direitos políticos, laborais e sociais dos trabalhadores das novas gerações e do povo português.

Não pensem que é exagero dizer que, este é o caminho da destruição do regime democrático, promovido pelo governo do PSD/CDS-PP a mando da Troika do qual o PS foi o primeiro subscritor.

Quem, como nós, viveu num tempo de opressão e exploração e, sem condições mínimas de vida, em que o sonho de sermos livres, de dar largas à revolta da falta de liberdades constituiu uma postura combativa, sabe bem que é possível transformar o sonho em realidade.

Com orgulho de sermos trabalhadores e lutando para satisfazer justos anseios, em oposição às classes parasitárias e exploradoras, fez de nós intervenientes activos na luta pela mudança das nossas vidas.

Muitos de nós, trabalhadores que fomos das fábricas, dos campos, das empresas dos serviços, das forças armadas, pela luta organizada no plano político, social e cultural estivemos no centro da luta que levou à queda do regime fascista e à construção de um país livre e democrático.

É preciso lembrar que, nesse tempo, o analfabetismo imperava porque o ensino era privilégio de poucos, a maioria dos partos eram feitos em casa, existia uma elevada taxa de mortalidade
infantil e materna, a esperança de vida era de 60,7 anos, os serviços de saúde eram pagos por quem podia e os que não podiam pagar tinham de recorrer ao atestado de pobreza passados nas Juntas de Freguesia e as mulheres não podiam trabalhar ou deslocar-se ao estrangeiro sem autorização dos maridos.

Queridos netos, depois desses tempos de trevas chegaram os dias luminosos do 25 de Abril, fruto de muitas, muitas lutas: Lutas contra aquilo que parecia, um “muro intransponível”, ou como nos diziam “tem que ser assim, sempre foi assim…” Era uma maneira de dizer e de convencer, tal como hoje - “não há alternativas”.

As liberdades e os direitos políticos conquistados: de expressão, de manifestação, de associação, a liberdade sindical e o direito à negociação colectiva, a garantia do direito de todos ao Serviço Nacional de Saúde, o Sistema Público de Segurança Social e à Escola pública de qualidade; a reforma agrária nos campos do sul do País, a dinamização do associativismo dos agricultores a norte do País; o associativismo dos reformados, dos jovens, entre outros, resultou de muitas
lutas do nosso povo e dos jovens de então.

Hoje, na situação de reformados das nossas profissões, não nos reformámos da luta em defesa dos nossos direitos, mas igualmente da luta pelos direitos dos nossos filhos e netos.


Estão a ser atacados o nosso direito de envelhecer com direitos, com autonomia económica e social. Lutamos em sua defesa por nós e pelas futuras gerações.

Estamos atentos e interventivos na exigência de um Portugal com direitos e liberdades políticas e sociais para os trabalhadores nossos filhos e, para vós, nossos netos – as novas gerações produtivas, criadores de riqueza e, por isso, merecedoras de um nível de vida compatível com essa condição.

Está a ser posto em causa o vosso direito ao trabalho com direitos. A legislação laboral está a ser alvo de ataques violadores da Constituição da República, através de tentativas de liberalizar os despedimentos sem justa causa, de prolongar os horários de trabalho, da redução para metade do valor do trabalho em dias de descanso e das horas extraordinárias, da liquidação da contratação colectiva, da redução da duração e do montante do subsídio de desemprego para um limite máximo de dezoito meses.

É importante, que conheçam os princípios, valores e direitos da Constituição da República. O seu conteúdo ajuda a perceber as obrigações do Estado para com os cidadãos e o país. E, também, para perceber a diferença entre os direitos e dádivas dos governos, como a oferta de medicamentos em fim de prazo e os restos de comida para os pobres. Nós sabemos bem a diferença entre direitos e políticas assistencialistas e caritativas. E, sabemos o significado profundo da palavra dignidade – por isso não aceitamos e recusamos a transformação dos direitos em actos de caridade.

Está muito actual a conhecida frase de Bento Jesus Caraça – um homem culto é aquele que “Tem consciência da sua personalidade e da dignidade que é inerente à existência humana.”

Como exemplo de direitos constitucionais, o artigo 63º da Constituição da República: “Todos têm direito à segurança social.
Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais trabalhadores.”

Queridos netos.
Muitos de nós não temos heranças materiais para vos deixar. Temos um legado de saber e experiência, que nalguns casos levou a perdas de postos de trabalho, ou mesmo à prisão. Hoje, no século XXI, tal como no tempo da nossa juventude, para não se perderem direitos históricos e civilizacionais, a luta é uma exigência e uma necessidade.

A juventude é a idade dos sonhos.
É possível sonhar e alcançar sonhos que pareceriam inatingíveis, sonhos arrojados. Foi o que conseguimos na nossa juventude com a Revolução do 25 de Abril - o maior legado que deixamos
aos nossos filhos e netos – a luta e os seus resultados!

Encontro Nacional das Associações de Reformados, 22 de Outubro de 2011.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Contra a exploração e o empobrecimento

Contra a exploração e o empobrecimento
– Resolução do Conselho Nacional da CGTP-IN
Portugal desenvolvido e soberano
Greve Geral 24/Novembro/2011
Emprego, Salários, Direitos, Serviços Públicos

O país está confrontado com a apresentação pelo Governo
PSD-CDS, de um novo e agravado programa de austeridade, sem paralelo desde o 25
de Abril. Recorde-se que Portugal já conheceu os programas de desastre do FMI em
1978 e em 1983. O novo pacote de austeridade não significa apenas a recessão
económica, o empobrecimento generalizado da população e o aumento do desemprego.
Representa um ataque brutal à democracia e também um recuo civilizacional, que
põe em causa princípios basilares de estruturação social e direitos e garantias
fundamentais, consagrados na Constituição da República Portuguesa. O
país não pode responder a problemas económicos e sociais reais nem tem futuro
com uma política que subordina os interesses nacionais ao capital nacional e
multinacional e à estratégia das grandes potências europeias. Estamos
perante um programa de agressão aos trabalhadores, ao povo e ao país. As medidas
apresentadas são desastrosas, porque não só não resolvem a crise da dívida, como
a agravam. Estas medidas, a concretizarem-se, mergulhariam ainda mais o país na
recessão económica, que o Governo já admite seja da ordem dos 3% em 2012, o que
irá agravar, em vez de reduzir, o peso da dívida. As medidas do Governo
de direita do PSD-CDS, da UE, FMI e BCE são inadmissíveis, porque, ao ser
aprofundada a recessão, é criado um ciclo destrutivo de austeridade, de mais
recessão e aumento da dívida, a exemplo do que aconteceu na Grécia, com os
resultados desastrosos que hoje estão à vista de todos. O empobrecimento
dos trabalhadores, não só da Administração Pública, mas também do sector
privado, dos reformados e pensionistas e da população em geral é, não só
socialmente injusto e intolerável, como contraproducente, porque a quebra do
poder de compra está a ter efeitos devastadores no mercado interno, levando ao
encerramento de empresas e à consequente perda de postos de trabalho. A
generalidade da população, dos trabalhadores, dos jovens, dos desempregados e
dos reformados e pensionistas está a pagar a factura de uma crise que não
provocaram. Foram as políticas seguidas por sucessivos Governos que levaram às
perdas de competitividade da economia portuguesa; à liquidação de parte do nosso
tecido produtivo; a contratos desastrosos para o Estado no âmbito das parcerias
público-privadas; ao buraco do BPN, que poderá consumir 3 mil milhões de euros;
à não canalização do crédito ao sector produtivo; à falta de eficiência e a
baixa produtividade de muitas empresas; à corrupção, à fraude e evasão fiscais e
economia clandestina. Os buracos de que o Primeiro-Ministro fala têm
origem nestas políticas levadas a cabo por sucessivos governos e que este
prossegue e agrava com os impactos negativos de cada pacote de austeridade.
Esta é uma política de terra queimada! A não ser travada, a
concretização de mais privatizações, nomeadamente da captação, tratamento e
distribuição de água e resíduos, de redução de serviços nas empresas de
transportes, e de cortes no Estado Social, designadamente na segurança social,
na saúde e na educação, a par do agravamento da inflação, conduzirá a efeitos
desastrosos no desenvolvimento do país, na qualidade dos serviços públicos, na
política de prevenção e provocarão o aumento da precariedade, do desemprego, da
pobreza e da exclusão social. Em defesa dos direitos e dos interesses de
quem trabalha, mas também pelo futuro de Portugal, a CGTP-IN não aceita e tudo
fará para combater o roubo do subsídio de Natal de todos os trabalhadores em
2011, e dos subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores da Administração
Pública e do Sector Empresarial do Estado, assim como dos pensionistas em geral
para os próximo 2 anos, os cortes nos salários, o agravamento dos impostos, a
diminuição do valor e do poder de compra das pensões, a redução do subsídio de
desemprego e a eliminação do abono de família e do rendimento social de inserção
a milhares de famílias. Rejeitamos o aumento da duração do trabalho em
2,5 horas, das 40 para as 42,5 horas semanais, porque vai reduzir, em média, os
salários em 7% e aumentar o desemprego, mas também porque é ilegal e subverte a
negociação da contratação colectiva. Tal como a redução dos feriados,
que também se recusa, esta é uma medida que nada tem a ver com a redução da
dívida ou do défice. Trata-se, tão só, de uma transferência directa dos
rendimentos dos trabalhadores para os bolsos dos grandes accionistas e do grande
patronato. Intensificaremos a denúncia e combate aos ataques do Governo
de direita e do patronato que pretendem utilizar e instrumentalizar a
concertação social para pôr em causa direitos nucleares dos trabalhadores,
incluindo a proibição do despedimento sem justa causa, o direito constitucional
de contratação colectiva, as compensações por motivo de despedimento, a
protecção social no desemprego e a desregulamentação dos horários de trabalho.
Trata-se de uma subversão da Constituição da República Portuguesa.
Portugal precisa de uma outra política que exija a renegociação da
dívida – dos prazos, dos juros e dos montantes a pagar –, e promova o
crescimento e o emprego com direitos, aposte na dinamização do sector produtivo,
garanta o aumento dos salários e das pensões, assegure a defesa e o reforço das
Funções Sociais do Estado e dos serviços públicos, valorize o trabalho e
dignifique os trabalhadores. Neste sentido, o Conselho Nacional da
CGTP-IN, reunido a 18 e 19 de Outubro de 2011, decide:
Saudar as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras de todos os sectores
de actividade, assim como todos os que participaram nas Grandes Manifestações
realizadas no dia 1 de Outubro, em Lisboa e no Porto, exortando-os a prosseguir
a acção, a partir dos locais de trabalho, exigindo resposta positiva às suas
propostas e reivindicações;
Intensificar o esclarecimento e a mobilização dos trabalhadores e
trabalhadoras para as lutas que estão em curso e, desde logo, para a preparação
das acções de sensibilização, de mobilização e de presença na rua que terão
lugar entre 20 e 27 de Outubro ;
Apelar a todas as organizações sindicais, assim como aos trabalhadores dos
sectores privado e público, a indispensável convergência na acção com vista ao
reforço da unidade na acção a partir dos locais de trabalho, na luta contra
este programa de agressão , por melhores condições de vida e de trabalho,
por um Portugal com futuro;
Convocar uma Greve Geral para o dia 24 de Novembro de 2011 , contra a
exploração e o empobrecimento; por um Portugal desenvolvido e soberano; pelo
emprego; salários; direitos; serviços públicos;
Promover, através das Uniões Distritais de Sindicatos, no dia da Greve
Geral, acções públicas em diversos Distritos para dar expressão pública à
indignação geral contra a política de direita e as posições retrógradas do
patronato, e exigir uma mudança de política que respeite e valorize os
trabalhadores e assegure o desenvolvimento económico e social do país.
Lisboa, 19/10/2011 O original encontra-se em http://www.cgtp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=2272&Itemid=1

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eles roubam tudo...

Roubar é a sua profissão: eles roubam, roubam, roubam...

Roubam todos os dias e a todas as horas; roubam nos dias úteis e nos dias inúteis; roubam nos domingos, nos feriados e nos dias santos; roubam enquanto dormem e roubam quando estão acordados.

Eles roubam, encapotados, congelando salários e reformas, e roubam, sem máscara, subsídios de Natal a trabalhadores e reformados.

Eles roubam, à mão armada, o direito ao emprego aos jovens e roubam, a tiro, aos idosos, o direito à dignidade, condenando-os a reformas de miséria.

Eles roubam, em quadrilha, o direito ao pão a milhões e, sempre em quadrilha, concedem-lhes o direito à caridadezinha ultrajante e anti-humana.

Eles roubam direitos laborais e roubam direitos humanos fundamentais aos cidadãos.

Eles roubam serviços públicos essenciais, roubam o direito à saúde, à educação, à habitação – e roubam o direito à felicidade.

Eles roubam, roubam, roubam...

Eles roubam aos que trabalham e vivem do seu trabalho.

Eles roubam aos que já trabalharam e ganharam, com trabalho, o direito a uma velhice digna.

Eles roubam o emprego aos que querem trabalhar, pondo-lhes à frente espessos muros.

Eles roubam, roubam, roubam...

Eles roubam ao País a sua independência e, rastejantes, levam o roubo à boca dos grandes e poderosos da Europa e do mundo, aos quais lambem as mãos.

Eles roubam Abril – a democracia, a liberdade, a justiça social, a soberania nacional, a Constituição, o futuro – e semeiam sementes do passado que Abril venceu.

Eles roubam, roubam, roubam...

Roubar é a sua profissão.

E, quais robins dos bosques de patas para o ar, roubam aos pobres para dar aos ricos – e enchem, com o roubo, os cofres das grandes famílias, dos exploradores, dos vampiros parasitas.

E se alguém se engana com o seu ar sisudo e lhes franqueia as portas à chegada, eles roubam tudo e não deixam nada.

E poisam em toda a parte: poisam no governo e na presidência da República; poisam nas administrações das grandes empresas públicas e privadas; poisam nos bancos falidos fraudulentamente e nos bancos que, fraudulentamente, levam à falência as pequenas e médias empresas.

Poisam nos prédios, poisam nas calçadas...

A luta os vencerá.
Por: José Casanova
Avante de 08 de Agosto

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os Tróikas




DIGAM LÁ, Ó TRÓIKAS, QUEM É AMIGO, QUEM É ?

É assim a Igreja:
diz-se, em palavras, a favor dos oprimidos - age, de facto, a favor dos opressores;
promete benesses celestiais aos primeiros - favorece a abençoa as benesses terrenas dos segundos.
Com isto, conta sempre com o apoio de uns e dos outros:
os opressores apoiam-na olhando para os cofres; os oprimidos apoiam-na olhando para o céu...
E uns e outros dão graças a Deus quando o papa, o cardeal, o bispo, o padre pregam as virtudes da caridade - perdão: da CARIDADE! - cuja é, como os opressores sabem e os oprimidos desconhecem, a Madre que alimenta toda esta hipocrisia.
E é assim - alimentando-se da fartura de uns; da miséria de outros; e das graças-a-Deus de todos - que a Igreja se vai governando.
E bem!

Vem isto a propósito das palavras ontem proferidas pelo Cardeal Patriarca de Lisboa na procissão do Corpo de Deus - que, segundo os jornais, juntou em Lisboa 10 mil... ia escrever: oprimidos... mas escrevo: pessoas.
(é que os opressores raras vezes vão a estas coisas: eles sabem, desde tempos imemoriais, que tudo o que ali vai ser dito pelo orador de serviço é em seu benefício - e sabem que os oprimidos comparecerão em massa para aplaudir o orador. Ou seja: confiam absolutamente nos desígnios de Deus e dos seus representantes e representados na Terra...)

Então, foi perante um abundante e receptivo auditório, que D. José Policarpo fez o que tinha a fazer: pediu «ajuda para os que têm fome»;
e lembrou que «a Eucaristia é o sacramento da caridade»;
e asseverou que «a comunhão do Corpo de Deus introduz-nos na experiência da caridade»;
e garantiu que «a evangelização é uma exigência da caridade»...
E em verdade vos digo, irmãos - isto digo eu - que, depois disto, não há fome que resista a tanta caridade...

Portanto... há que esperar por ela - perdão: por ELA!
Portanto... sentai-vos, famélicos de Portugal, e orai!

Portanto... digam lá, ó troikas, quem é amigo, quem é?



Por Fernando Samuel, em Cravo de Abril

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Duas marcas

1. A televisão tem estado cheiinha da notícia: aí está ele, o governo. Não um governo qualquer. Nem sequer um qualquer governo de direita. Trata-se de um governo que, emergindo de uma maioria parlamentar absoluta, se prepara não só para ajustar contas com o 25 de Abril mas também para destruir o que dele reste. Há sérias razões para admitir que o País está perante o projecto silencioso, talvez até em certa medida inconsciente de si próprio, de refundar um salazarismo sem Salazar, sem polícia política e sem censura oficial (aliás tornada inútil perante a evidente eficácia das formas actuais de censura instaladas na generalidade dos media dominantes). E a abundante informação que a TV nos fornece acerca do governo Coelho/Portas, como aliás é seu dever fornecer, não tem a mínima preocupação em dourar a pílula amaríssima, se não venenosa, que a Europa dos Ricos prescreveu para administração urgente ao povo português: em nome do interesse nacional, como sempre se faz quando se trata de agredir as populações, vão ser atirados para o desemprego milhares de trabalhadores, vai ser extorquido mais dinheiro aos doentes e aos deficientes, vai ser reduzido por alegada falta de meios o apoio ao milhão e tal de velhos que já se arrasta na pobreza E não sou eu quem o diz ou aqui o inventa: foi a TV que nos últimos dias me veio ensinando isto e muito mais, numa quase alegre profecia fácil das desgraças a que o povo português foi sentenciado.

2. Compreender-se-á, espero, que nestas colunas se dê especial atenção a duas marcas que este governo desde já ostenta e de que se diria serem claras, por óbvias, se não fossem de facto nigérrimas por ilustrarem, além do mais, a sinistra mistura de ódio e medo que através dos tempos a direita sempre arrasta na sua bagagem relativamente à cultura. Não poderá dizer-se, decerto, que ela não tem boas razões para isso: a cultura ilumina e a direita obscurece para confundir, a cultura revela o mundo e a vida enquanto a direita lhes falsifica a imagem, a cultura liberta e a direita oprime. Objectar-se-á talvez que a direita sempre tem contado com gente de boa craveira cultural/intelectual entre os seus. Mas convém saber que essa espécie de situação contranatura decorre da existência de contradições internas na personalidade ou no pensamento das figuras que concretamente ilustram essas situações paradoxais ou de excepção. Nem todos podem ser construídos de uma só peça e a coerência, embora possa acontecer sem grande esforço, não é uma espécie de maná que caia do céu aos trambolhões.

3. As tais duas marcas a que me refiro, escolhendo-as entre outras por terem directamente a ver com as preocupações regularmente abordadas nestas duas colunas, são o projecto de privatização da televisão pública e a extinção do Ministério da Cultura. Até ao momento em que escrevo, não foram prestados ao País quaisquer esclarecimentos acerca do modo e do grau que consubstanciarão a anunciada privatização da TV estatal, sendo contudo muito provável que se trate de entregar a RTP1 a privados. Desde já é possível sublinhar, contudo, duas ou três coisas. A primeira delas será que, com provável excepção para a RTP África, cuja missão poderá talvez ser desempenhada pela RTP Internacional, todos os canais da RTP são necessários para que ela possa cumprir de facto os deveres de serviço público que lhe estão cometidos. A segunda nota será para sublinhar que, como aliás é praticamente consensual, o mercado telepublicitário já não suporta mais um canal concorrente sem que esse facto redunde em grave prejuízo financeiro para todas as operadoras. Por último, é preciso acentuar uma esquecida (ou escamoteada) verdade fundamental: sendo certo que a acção da Radiotelevisão Portuguesa tem estado longe de convergir para o cumprimento de um eficaz serviço público, designadamente na área da promoção e divulgação cultural, é evidente que o remédio para essa gravíssima omissão não é o despedaçamento da empresa ou a amputação dos canais decisivos para o êxito da sua missão. Alegar que para ter uma RTP que falha o seu dever mais valerá que o Estado se desfaça dela é, a menos que se trate de um caso de debilidade mental, uma tentativa um pouco ingénua de enganar as gentes. Mas elas, as gentes, de tanto serem enganadas já perderam um pouco a capacidade para identificarem os vários contos do vigário. Pelo que sempre convém preveni-las. Como agora e aqui se tenta fazer.
Publicada por Sérgio Ribeiro, no anónimo século xxi
Etiquetas: Correia da Fonseca

terça-feira, 28 de junho de 2011

Em Defesa dos Direitos Laborais, em Luta por Sociedade Melhor

Cabeçálho do Blog


Numa viagem pela blogosfera encontrámos um belíssimo trabalho de prospecção, no blog Jangada de Pedra, de André Levy , que nos chamou a atenção e que não resistimos em reproduzi-lo aqui em O Hermínio.
Este trabalho, que nos dá conta das muitas e muitas lutas recentes que foram, e são, travadas em muitas frentes e sectores e que a imprensa, do sistema estrategicamente nos quer ocultar, mas… há sempre muita gente que está atenta!

Retomo a escrita neste blog, após um interregno, com a compilação (incompleta) das lutas de trabalhadores realizadas em Portugal até Maio. Esta compilação é feita com base na agenda da CGTP e nas notícias do Avante!. [A lista de lutas de 2010 não se encontra ainda completa, mas está em construção]



JANEIRO 2011


Os trabalhadores dos bingos Brasília e Olímpia, no Porto, passaram o ano pernoitando no local de trabalho, em defesa do emprego ameaçado pelas divergências entre a concessionária Varzim Sol e a SNGB, a quem aquela cedeu a exploração das salas de jogo. Os estabelecimentos encerraram no dia 31 de Dezembro, mas os 110 trabalhadores não foram despedidos e o Sindicato da Hotelaria do Norte classificou o encerramento de ilícito, por não ser precedido de parecer da secretaria de Estado do Turismo, e exige solução por parte da Varzim Sol. Os trabalhadores permaneceram nas sala de jogo encerradas durante semanas tendo-se deslocado a Lisboa, no dia 18/Jan, para exigir a reabertura imediata das duas salas à Secretaria de Estado do Turismo.


Enfermeiros do Hospital Cândido Figueiredo, em Tondela, concentraram-se à entrada desta unidade de saúde chamando a atenção para o comportamento do conselho de administração, que «esbanja erário público, reduz o número de enfermeiros por turno e despede» profissionais, embora reconheça que seria necessário, ao invés, fazer admissões. [2/Jan]


Motoristas da transportadora de veículos Rodocargo, do Grupo Barraqueiro, pararam o trabalho e concentraram-se com as viaturas junto ao complexo onde está sediada a empresa, na Vala do Carregado, concelho de Vila Franca de Xira, protestando contra as pressões da gerência para que aceitem a redução do salário-base, de 607 para 550 euros, bem como a redução de outras verbas. [3/Jan]


Várias acções e lutas do sector dos transportes contra os cortes salariais e em defesa dos direitos adquiridos [7-14/Jan]


Manifestação Nacional, até residência oficial do Primeiro-Ministro, de várias estruturas sindicais dos Ferroviários: «Contra a diminuição dos salários, pela negociação colectiva; contra as privatizações, pela defesa do serviço público; contra o desinvestimento na ferrovia, por uma política ferroviária nacional; contra os despedimentos, pelo trabalho com direitos». [12/Jan]


Greve dos trabalhadores da CMLisboa em protesto contra a intenção de António Costa e da sua maioria na CML quanto à venda do Departamento de Saneamento à EPAL e a transferência da gestão dos Museus e Galerias para a empresa municipal EGEAC [13/Jan]


Concentração dos trabalhadores da empresa “FLOR DO CAMPO” junto à Segurança Social, em Lisboa, para pedir o Fundo de Garantia Salarial como forma de antecipar o pagamento da dívida que só vão começar a receber em 2011 [19/Jan]


Lutas dos Enfermeiros. Concentração junto M. Saúde – “Entrega de Fardas”, das Noções da Revolta e as Cartas de Indignação (negociação da carreira de enfermagem) [24/Jan] Paralisação dos serviços contra a proposta de projecto de diploma do Ministério da Saúde relativo a grelhas salariais e transições para a nova carreira de enfermagem. [27-29/Jan] Manifestação Nacional da Enfermagem, junto do Ministério da Saúde, contra a proposta de projecto de diploma do Ministério da Saúde relativo a grelhas salariais e transições para a nova carreira de enfermagem. [29/Jan]


Semana nacional de luta da CGTP-IN contra os ataques do Governo, sem precedentes, aos salários e aos direitos dos trabalhadores, com acções em duas dezenas de cidade do Continente e das regiões autónomas, juntando milhares de trabalhadores [23-29/Jan]


Concentração dos trabalhadores da empresa IFM/Platex, junto à A.R., pela defesa do aparelho produtivo e dos postos de trabalho. [24/Jan]


Greve dos trabalhadores dos CTT (CDP Monte da Caparica), contra a alteração do horário de trabalho e da retribuição [25-29 /Jan]


Greve dos trabalhadores dos restaurantes NOVOREST, com deslocação a Lisboa, contra o despedimento colectivo de 114 trabalhadores, promovido pela EUREST e pela MAKRO [28-Jan]


FEVEREIRO 2011


Greve dos trabalhadores do sector de higiene urbana, e de outras áreas da câmara de Loures cumpriram uma greve, contra a eliminação do subsídio de deslocação que recebiam há 28 anos, e cujo valor supera os 80 euros mensais. Esta medida afecta cerca de 1500 funcionários. [1-4/Fev]


Entrega de abaixo-assinado subscrito pela maioria dos trabalhadores da Simarsul, em Setúbal, contra os cortes salariais entre 3,5 e 10 por cento, no fim de Janeiro. É exigida a reposição dos montantes e o cumprimento das 35 horas semanais de trabalho. [3/Fev]


Greve dos trabalhadores dos Hóteis Tivoli Lisboa e Lisboa Jardim, com concentração dos trabalhadores junto à porta principal do Hotel Tivoli, pela aplicação do CCT e contra a repressão nas empresas [4-5/Fev]


Manifestação Nacional da Administração Pública, Lisboa, dos Restauradores até o Ministério das Finanças. Objectivos centrais da luta: Salários e pensões dignos, com reposição do poder de compra perdido; Avaliação e Desempenho; Manutenção do horário de 35 horas semanais e 7 diárias, contra a adaptabilidade e a flexibilidade; Revogação e/ou alteração das normas mais gravosas da nova legislação da Administração Pública, com a reposição do vínculo de nomeação a todos os trabalhadores da AP; Reposição das condições de aposentação anteriores a 2004. [5-Fev]


Semana de greves, em todo o sector dos Transportes e Comunicações, contra os cortes salariais, as privatizações e a destruição de postos de trabalho, incluindo trabalhadores da CP, CP Carga EMEF, Reger, CTT, Metropolitano de Lisboa, Soflusa, e rodoviárias privadas de passageiros [7-11/Fev]


Concentração, diante da Assembleia da República, dos docentes de Educação Visual e Tecnológica, cujos postos de trabalho estão ameaçados pela eliminação do par pedagógico, nesta disciplina [8/Fev]


Greve dos trabalhadores CTT (CDP Tomar), contra a alteração do horário de trabalho e da retribuição [1-5/Fev] Greve dos trabalhadores CTT (CDP Leiria) (2º período), contra a alteração do horário de trabalho e da retribuição [8-9/Fev]


Concentração de Activistas da FIEQUIMETAL, seguida de deslocação à ANIMME e ao Ministério do Trabalho, em Lisboa. Acção conjunta dos representantes dos trabalhadores do âmbito da FIEQUIMETAL, pela defesa da contratação colectiva, por aumentos salariais justos e pela defesa do emprego. [12/Fev]


Greve dos trabalhadores da EUREST, no Refeitório da Sonae Indústria, em Oliveira do Hospital, pelo pagamento do subsídio de alimentação na retribuição de férias e no subsidio de natal. [12/Fev]


Greve dos Mineiros da SOMINCOR por tempo indeterminado, durante as primeiras duas horas de cada turno, para assegurar um aumento de cem euros no valor do «subsídio de fundo», para quem labora no interior da mina, e o pagamento integral, a todos os trabalhadores da mina de Neves Corvo, da compensação do Dia de Santa Bárbara (padroeira dos mineiros, a 4 de Dezembro). Em 2009, a administração pagou só metade da compensação que decidiu aplicar, quando resolveu que trocava o dia de não laboração por um valor monetário. É exigida a garantia de pagamento da compensação na íntegra também nos anos seguintes. [17/Fev - 20/Mar]


"Cerco" à Segurança Social (junto ao edíficio da Segurança Social), da União dos Sindicatos de Aveiro, para exigir que a Segurança Social deixe de ser utilizada como uma "vaca leiteira" do patronato e do Governo, exigir melhores pensões e a revogação do factor sustentabilidade, reclamar novas fontes de financiamento da Segurança Social. [18/Fev]


Paralisações diárias de 30 minutos dos trabalhadores da CACIA-Renault, perante a recusa da Administração da empresa de negociar o Caderno Reivindicativo, nomeadamente, as matérias de expressão pecuniária, e porque não tiveram aumento de salário no ano de 2009, decidiram realizar paralisações diárias de 30 minutos, a meio de cada horário de trabalho, com concentração dos trabalhadores em frente do edifício da Administração. Decidiram também fazer greve ao trabalho suplementar, em dias de semana, de descanso semanal e feriados. [18-28/Fev]


Concentração frente ao Centro de Emprego da Guarda, seguida em cordão humano à ACT (delegação DA Guarda) e ao Governo Civil da Guarda, pela melhoria das condições de vida e de trabalho, contra a precariedade e o desemprego. [22/Fev]


Acções do sector dos transportes e comunicações e dinamizada pela FECTRANS (Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações) entre 23 e 26 de Fevereiro:
- Concentração dos trabalhadores da Rodoviária de Lisboa, junto à sede [23/Fev]
- Concentração dos trabalhadores das empresas VIMECA e SCOTTRUB e distribuição de documentos, durante todo o dia [24/Fev].
- Concentração dos trabalhadores da EMEF (Porto/Guifões) junto ao G. Civil do Porto [25/Fev]
- Plenário de trabalhadores da EMEF (Barreiro) com deslocação à Câmara Municipal. [26/Fev]
- Greves na Secil e na CMP, ambas integradas no Grupo Semapa [21/Fev]
- Paralisações na Saint Gobain Mondego. [22/Fev]
- Na REN a luta abarcou o mês de Março.


Concentração de cerca de 300 trabalhadores, na sua maioria mulheres, em representação dos mais de mil da Manutenção Militar (MM) e dos 340 das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento das Forças Armadas (OGFE), diante do Ministério da Defesa, em Lisboa, para reclamar medidas que evitem a extinção dos estabelecimentos e garantam os postos de trabalho, ameaçados com a «mobilidade especial». [23/Fev]


Plenário Geral da Limpeza Urbana da C.M.Lisboa [23-24/Fev]; Plenário Geral de Trabalhadores Ex. vínculos precários da C.M.Lisboa [24/Fev]


Acção de denuncia junto ao Hospital S.José dos trabalhadores da IBERLIM. Os trabalhadores e as organizações sindicais da CGTP-IN nos Hospitais decidiram realizar uma acção de solidariedade com a justa luta dos trabalhadores da IBERLIM que lutam contra discriminação (ilegal) e actuação repressiva aos trabalhadores sindicalizados do STAD da seguinte forma: A) paga salários mensais inferiores; B) não atribui trabalho (suplementar)aos fins-de-semana e C) aplica sanções ilegais e abusivas aos trabalhadores que aderiram a Greves realizadas no ano passado. [24/Fev]


Greve de trabalhadores não docentes do agrupamento de escolas da Sertã. Em causa estava a não abertura de concursos para a integração de sete auxiliares da acção educativa, que fazem nos estabelecimentos onde trabalham [24/Fev]


Greve na UNILEVER, com concentração, em Lisboa, junto da sede da empresa [25/Fev]


Concentração à porta da empresa RESIQUIMICA (Parque Industrial de Sintra) [25/Fev]


Concentração e desfile de jovens trabalhadores dos sectores dos transportes e comunicações, dos Restauradores ao Ministério dos Transportes e Comunicações, com deslocação ao Ministério da Trabalho. Varias concentrações sectoriais junto às E.P.’s seguidas para o M.T., no âmbito da acção nacional descentralizada. [25/Fev]


Greve na SUCH, com deslocação das trabalhadoras para a Concentração da USL. [25/Fev]


Greve das trabalhadoras da Triumph com deslocação ao M.Trabaho [25/Fev]


Greve dos trabalhadores da CENTRALCEL [25/Fev]


Greve Nacional dos Enfermeiros do INEM [25/Fev]


Greve dos trabalhadores da SOPLACAS e da CIMIANTO (Sector da Cerâmica) [25/Fev]


Greve dos trabalhadores da SECIL PREBETÃO [25/Fev]


Greve nacional dos trabalhadores das Cantinas, Refeitórios e Fábricas de Refeições, com uma concentração frente à Associação Patronal AHRESP , pela defesa do Contrato Colectivo e contra o boicote patronal de negociar [25/Fev]

Acções de denúncia pública com distribuição de comunicados, dos trabalhadores com salários em atraso e com trabalho precário, das empresas:
ESIP e SARDINAL, com concentração junto às sedes das empresas, em PENICHE); RINO & RINO, BONVIDA e VIVEIROS S. JORGE (com concentração junto às sedes das empresas na BATALHA); KEY PLASTICOS e CARIANO (com concentração junto às sedes das empresas em LEIRIA) [25/Fev]


Greve de 24 horas dos trabalhadores da CEL-CAT [26/Fev]


Concentração em Coimbra, na Praça 8 de Maio, com deslocação, em manifestação, até ao G. Civil, no âmbito da Acção Nacional de Luta [26/Fev]


Manifestação na Covilhã, no âmbito da Acção Nacional Descentralizada [26/Fev]


Protesto contra os gastos com a apresentação dos novos autocarros de dois pisos, em Castelo do Queijo, promovida pelos trabalhadores da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto. Os cortes salariais, a redução da oferta de transporte e falhas entre os horários afixados e os realmente cumpridos, foram outras razões fundamentais do protesto. [27/Fev]




MARÇO 2011


Greve parciais dos trabalhadores da VISTEON em Palmela por aumentos salariais e estabilidade no emprego [1/Mar]


Concentração de ORT's e trabalhadores dos TRANSPORTES junto do Ministério dos Transportes, em defesa do aumento dos salários, pelo cumprimento dos AE's e dos acordos firmados, pela defesa do emprego e contra a precariedade, contra a discriminação a jovens trabalhadores e pela melhoria das condições de trabalho. [2/Mar]


Luta dos trabalhadores da CM Loures. Depois de uma greve de cinco dias, em Fevereiro, registaram-se protestos, culminando numa vigília de três horas diárias frente à Câmara, com erca de quatro centenas de trabalhadores, para reivindicarem a reposição do subsídio de deslocação que auferiam há 28 anos. [2/Mar]


Início de Greve dos Professores às horas extraordinárias que se prevê prolongar até 30 de Junho. [3/Mar]


Greve Nacional dos trabalhadores da Função Pública contra o congelamento dos aumentos salariais [4/Mar]


Tribuna Pública na Praça da República, de Viana do Castelo, no âmbito da Acção Nacional Descentralizada [5/Mar]


Concentração de trabalhadores da empresa João Baltazar e Andrade, em Corroios. junto à residência da gerência, pela defesa dos postos de trabalho e dos seus direitos. [5/Mar]


Greve no Clube Estrela da Amadora contra a falência fraudulenta, pelo recebimento dos salários e contra o despedimento colectivo ilegal [6-7/Mar; 16/Mar]


Greve dos 32 trabalhadores do café «A Brasileira», no Chiado: terceira paralisação no espaço de ano e meio tem como objectivo resolver problemas que se arrastam há mais de um ano, nomeadamente o incumprimento do contrato colectivo de trabalho, a repressão da gerência contra os trabalhadores inscritos no sindicato, e a recusa desta em reunir com os legítimos representantes laborais. [6/Mar]


Concentração no Jardim da República, Santarém, com deslocação ao Governo Civil. [11/Mar]


Manifestação da «Geração à Rasca» pelo direito ao emprego, à educação, pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade, e pelo reconhecimento das qualificações, competências e experiência, espelhado em salários e contratos dignos. [12/Mar]



Comício de Professores e Educadores encheu Campo Pequeno [12/Mar]


Jornada Nacional de luta, convocada pela Fiequimetal e os sindicatos filiados, com paralisações do trabalho e acções com impacto público. A negociação da contratação colectiva, o aumento dos salários, o combate à precariedade e a garantia dos direitos dos trabalhadores são objectivos principais desta jornada [12/Mar]


Concentração / Manifestação, em Braga, inserida na Semana de Luta contra a precariedade e o Desemprego [12/Mar]


Concentração na Praça Barão da Batalha. Abrantes, com deslocação ao Tribunal do Trabalho de Abrantes de delegação de trabalhadores da Metanova a reclamar o pagamento de créditos que lhes são devidos há mais de 25 anos. [15/Mar]


Greve dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa contra «brutais medidas que superam o corte efectuado em várias empresas públicas», e para responderem a um clima laboral que «está nitidamente a deteriorar-se», graças à «repressão através de processo disciplinares» [15 e 24/Mar]


Concentração no Jardim da Av. Dr. João Martins de Azevedo, em Torres Novas [16/Mar]


Greve dos trabalhadores da EMEL pelo direito à contratação colectiva, por categorias profissionais, contra o aumento dos horários de trabalho e por condições de higiene e de segurança, que se encontram em estado de «degradação contínua» [14-18/Mar]


Concentração junto à Câmara Municipal de Coruche, no âmbito da Acção Nacional Descentralizada. [18/Mar]


Dia Nacional de Protesto e Exigência [19/Mar]


Greve de 32 horas de 86 por cento dos trabalhadores da Valorsul, afectando a incineração de resíduos sólidos e a produção de energia eléctrica. Foram encerrados os cinco estabelecimentos da empresa e foi interrompida a recolha de lixo nos concelhos de Loures e Odivelas, até à manhã de sábado. [18-/Mar]


Greve dos trabalhadores dos Transportes Sul do Tejo (TST), com realização de Plenário com recolha de viaturas. Os trabalhadores estão em luta por aumentos salariais justos, pela defesa do AE e pelos direitos nele consagrados. [19/Mar]


Concentração na Praça da República, em Tomar. Durante a manhã contactos com a população e desfile dos trabalhadores da IFM/Platex pelo Centro de Emprego, Segurança Social e Câmara Municipal, no âmbito da Acção Nacional Descentralizada [19/Mar]


Plenário de Rua no Largo da Misericórdia, em Setúbal, no âmbito da Acção Nacional de Luta [19/Mar]


Greve dos trabalhadores da S2M, em defesa dos postos de trabalho, que não foram acautelados pela Metro do Porto e Governo, no concurso de concessão em curso [22-23/Mar]


Greves parciais dos trabalhadores da fábrica Kemet Electronics, em Évora, de duas horas no princípio de cada turno para reivindicarem aumentos salariais e protestar contra a decisão da administração da empresa de suprimir o pagamento do subsídio de turno e do trabalho nocturno, o que significou uma «redução nos salários na ordem dos 30 por cento» [22-25/Mar]


Greve nas empresas do sector FERROVIÁRIO (CP, REFER e EMEF) em defesa dos salários e dos direitos; Contra a precariedade. [23/Mar]


Greve dos os trabalhadores da Transtejo contra a violação «intencional» do Acordo de Empresa pela administração, por três horas por turno e às horas extraordinárias, durante 60 dias, recusando deslocações para fora do rio Tejo. [23/Mar]


Greve Nacional da VIGILÂNCIA PRIVADA - Transporte de Valores das empresas Esegur – Loomis – Prosegur – Grupo 8 por aumentos salariais justos e dignos; contra o aumento de 0,2% proposto pelos patrões; pela criação de categorias profissionais qualificantes para os trabalhadores e valorizantes para o sector. [25-26/Mar]


Greve Nacional da VIGILÂNCIA PRIVADA - instalações aeroportuárias dos aeroportos de Lisboa, Porto Faro, R.A. Madeira e R.A. Açores pela criação de categorias profissionais qualificantes ara os trabalhadores e valorizantes para o sector. [25/Mar]


MANIFESTAÇÃO DA JUVENTUDE TRABALHADORA – LISBOA, sob o lema:Geração com direitos; Garantia de futuro; Lutamos pela Estabilidade do Emprego; Salários e Horários Dignos [26/Mar]


Concentração dos trabalhadores das CERVEJARIAS TRINDADE e PORTUGÁLIA, para exigir aumentos salariais e negociação do Caderno Reivindicativo [26/Mar]


Trabalhadores do Grupo Pestana Pousadas em Luta com acções de denúncia junto dos clientes das Pousadas dos Lóios em Évora e S. Francisco em Beja. Os trabalhadores lutam por aumentos salariais e contra a repressão existente nas Pousadas [27/Mar]


A grande adesão à greve na na antiga Portucel Viana (Europac), parando toda a produção, tanto de energia, como de pasta e papel [26-29/Mar]


GREVE dos Enfermeiros, devido ao impasse no processo negocial da carreira de enfermagem. [29/Mar-1/Abr]


Luta que culminou na greve de 31 de Março, a CRH, a Tempo Team e, sobretudo, a EDP ficaram a saber que os trabalhadores do atendimento comercial estão unidos e firmes na defesa dos seus justos direitos e interesses.


ABRIL 2011


Manifestação Nacional de Jovens Trabalhadores contra a precariedade, o desemprego e os baixos salários [1/Abr]


Mantêm-se as lutas nas empresas de transportes públicos, com os sindicatos a considerar que a solução definitiva dos conflitos dependerá de actos e compromissos concretos do Governo e das administrações:
- greve ao trabalho suplementar dos trabalhadores da CARRIS, CARRISBUS e CARRISTUR e, contra o facto do C.A. da Carris manter a sua postura de não contabilizar as anuidades/diuturnidades e o agente único no preço/hora do trabalho suplementar, levando a que os trabalhadores do tráfego, no trabalho suplementar que têm de fazer fruto dos atrasos gerados pelo serviço, continuem a desempenhar funções de agente único sem serem pagos para isso. [-8/Abr]
- greves dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa contra a redução dos salários, o aumento do custo de vida e pela melhoria das condições de vida e de trabalho e a defesa do serviço público [5,7/Abr]


Concentração de Dirigentes e delegados sindicais da EDP e da REN, contra as decisões que cortam o valor da remuneração do trabalho e para exigir uma actualização salarial melhor para os trabalhadores [14/Abr]


Dezenas de trabalhadoras e trabalhadores das empresas corticeiras Vinocor e Subercor, do Grupo Suberus, concentraram-se junto ao Tribunal de Santa Maria da Feira, procurando chamar a atenção para os graves problemas causados pelo arrastamento dos processos de insolvência. [15/Abr]


Greve ao trabalho extraordinário na mina da Panasqueira começou no domingo de Páscoa, com a adesão de praticamente todos os trabalhadores.


Greve de dois dias dos trabalhadores dos CTT no distrito de Portalegre teve uma adesão de 75 por cento; luta foi convocada contra o agenciamento da distribuição de correspondência, entregando o serviço a pessoal não pertencente ao quadro. Os trabalhadores defendem que os CTT admitam mais trabalhadores nos seus quadros, exigem que seja pago o subsídio de deslocação e recusam o progressivo encerramento de estações dos CTT no distrito. [26-28/Abr]


Greve de duas horas, no início de cada turno, dos cerca de 150 trabalhadores da Moveaveiro contra o facto de não lhes ter sido assegurado o pagamento dos salários no dia 20. [21/Abr]


Greve dos Trabalhadores dos CTT no distrito de Portalegre.Pelo fim do clima de permanente conflito e contra a chantagem e intimidação aos trabalhadores. Exigem uma gestão competente à altura das necessidades dos CTT e da população [26-27/Abr]


Protesto Nacional dos trabalhadores das empresas do Sector Aviação e Aeroportos com concentração em Lisboa, em defesa da contratação colectiva, dos salários e das carreiras. [27/Abr]
Posted André Levy

domingo, 19 de junho de 2011

6º Aniversário da Morte de Vasco Gonçalves


Para sempre na memória e no coração
dos homens e mulheres de Abril


Mais de uma centena de pessoas participaram, sábado, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, numa romagem de homenagem ao General Vasco Gonçalves, por ocasião do sexto aniversário da sua morte.








Com esta iniciativa, promovida pela Associação Conquistas da Revolução, pretendeu-se recordar a memória do «Companheiro Vasco», figura maior da história da nosso País, para sempre ligado à Revolução de Abril e ao processo revolucionário que lhe sucedeu, que se traduziu em importantes e significativos avanços económicos, políticos, sociais, culturais, civilizacionais.

«Irradiava do General Vasco Gonçalves um dom pouco vulgar que se designa por carisma, que, através da palavra e do gesto, da entoação e da postura, actua de tal modo sobre as pessoas que as faz crer, ganhar confiança e força, encarnando algo por que ansiavam e acreditaram poder alcançar através dele», afirmou, na ocasião, o Comandante Manuel Begonha, frisando: «Apenas com a palavra foi capaz de derrubar as cortinas do desespero, fazendo surgir a luz da esperança».

Na sua intervenção, escutada depois de um minuto de silêncio, foi ainda valorizada a condição de Vasco Gonçalves de «engenheiro, amante da música, da matemática e da literatura, competente técnico e militar exigente, respeitador da disciplina e da ordem». Tudo isto, «num vendaval de opiniões, iniciativas, desencantos e decepções próprias de um período revolucionário».

«Para ele a política, a moral e a ética eram inseparáveis, sem que tal implicasse fraqueza ou ingenuidade», recordou, citando-o, num discurso em Almada: «O socialismo que queremos consiste também na possibilidade de cada cidadão ser um homem de lisura, um homem limpo, um homem íntegro, um homem transparente».

Palavras que espelham a personalidade de Vasco Gonçalves. «A sua liderança não implicava qualquer tipo de autoritarismo, sendo antes através do exemplo que transmitia as suas directivas, como um líder no topo que nunca esquecia a base», afirmou Manuel Begonha, continuando: «Respeitava as outras pessoas pelas suas opiniões, mesmo que não concordasse com elas, ou se quisermos, era capaz de discordar respeitando ao mesmo tempo a pessoa».

Entretanto, a Revolução ia consolidando as suas conquistas, criando novos rumos que Vasco Gonçalves impulsionou e que se revelaram de importância nacional e internacional, pois apontavam os caminhos do futuro.

«Estas conquistas e a sua consequente diluição [com a contra-revolução] muito custaram ao General, pois foram muitas vezes ameaçadas pelas armas, quando este pensava "que as armas que protegiam a Revolução não a tornavam invencível, porque quem pegar em armas irá padecer perante as armas"», salientou o Comandante, recordando que o General «não tinha ambições de poder», mostrando a sua firmeza ao dizer: «Ninguém está agarrado ao lugar, mas todos estamos ligados à Revolução. Uma revolução que não queremos ver recuar e muito menos perder» e, noutra situação, «O MFA só fixa um objectivo: lançar os fundamentos para que o povo português possa escolher livremente as instituições para que se quer reger. Depois recolheremos aos quartéis para defender as conquistas democráticas.»



Defender as conquistas de Abril



«Passados todos estes anos e face à implacável ofensiva, que se tem agravado, para destruir as conquistas da Revolução e a democracia de Abril, o pensamento e a obra do General Vasco Gonçalves, que não se podem aprisionar, continuarão a ser estudados, visto ser um poderoso instrumento de transformação social», salientou Manuel Begonha, da Associação Conquistas da Revolução, frisando: «Não tenho dúvidas de que Portugal no futuro chegará à conclusão de que este homem estava certo, sendo aqueles que o derrubaram quem deveriam ter sido julgados como verdadeiros criminosos».

Neste sentido, continuou, «devemos ser dignos de Vasco Gonçalves, que perseguiu sempre o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivam em comunidade, pacificamente e com igualdade de oportunidades». «Nós temos que ser a geração dos homens que se sacrificaram», disse, um dia, Vasco Gonçalves.

Em nome do General Vasco Gonçalves, o Comandante leu uma frase de Brecht: «Não necessito de pedra tumular, mas se necessitarem de uma para mim, gostaria que nela estivesse: Ele fez sugestões, nós as aceitámos. Por tal inscrição, estaríamos todos honrados».

Este momento, onde os cravos de Abril marcaram presença, contou com a participação, entre muitos outros, do Comandante Costa Santos, Manuel Sá Marques, Coronel Duran Clemente, Sargento Joaquim Ponte, Coronel José Emílio da Silva, Filipe Diniz, Capitão de Mar e Guerra Henrique de Mendonça, Cabo Vítor Lambert, Comandante Rodrigues Soares, Modesto Navarro, Capitão de Mar e Guerra Vieira Nunes, José Sucena, Beatriz Nunes, José Capucho, Nuno Lopes, Coronel Santos Silva, Coronel Bilstein Sequeira, Comandante Sequeira Alves, Vítor Neves, Coronel Andrade Silva, Comandante Loureiro Barbosa, Rita Magrinho, Margarida Aboim Inglês, Luísa Ramos, Martins Nabais, Sargento Manuel Custódio, Vítor Agostinho, José Casanova, Glória Marreiros, Valdemar Santos, João Paiva e Capitão de Mar e Guerra Armando Nabais.



Associação Conquistas da Revolução



A Associação Conquistas da Revolução, com mais de 500 associados, terá a sua primeira Assembleia-Geral no dia 18 de Junho, na Casa do Alentejo, em Lisboa, onde serão discutidos os objectivos e os estatutos da associação, assim como eleita a Comissão Instaladora, para, em Outubro, ser feita a eleição dos órgãos dirigentes. «Queremos e vamos continuar a honrar o General Vasco Gonçalves, revolucionário do 25 de Abril e de Portugal», salientou, na ocasião, Modesto Navarro, lembrando: «Com a situação que hoje atravessamos, há todas as razões para defender as conquistas de Abril. Nós não as traímos, retomamo-las e queremos que elas se desenvolvam em Portugal».